Cidades
por Lavínia Manso
Publicado em 16/09/2026, às 09h45
O comércio varejista do Rio Grande do Norte registrou queda de 0,9% nas vendas em julho, na comparação com junho, e chegou à quinta retração mensal consecutiva em 2026. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), e ficou abaixo da média nacional, que apresentou recuo de 0,8% no mesmo período.
A retração de julho representa a segunda maior queda mensal do varejo potiguar neste ano. A sequência negativa começou em março e indica uma perda de ritmo da atividade comercial ao longo dos últimos meses.
Mesmo diante das cinco quedas consecutivas, o setor ainda apresenta resultado positivo no acumulado do ano. Entre janeiro e julho, as vendas do comércio do Rio Grande do Norte cresceram 4,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio-RN), Marcelo Queiroz, os dados exigem atenção diante do cenário enfrentado por consumidores e empresas. Entre os fatores apontados estão os juros elevados e o nível de endividamento das famílias.
A desaceleração também é percebida por comerciantes de Natal. Empresários dos bairros Alecrim e Cidade Alta relatam oscilações no movimento e dificuldades para manter o ritmo de consumo observado em períodos anteriores.
Matheus Feitosa, presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), também aponta a carga tributária e o cenário macroeconômico nacional como fatores que influenciam as decisões das empresas.
Segundo o representante empresarial, a combinação desses fatores reduz a margem para investimentos destinados à expansão dos negócios e deixa os comerciantes mais cautelosos diante das perspectivas para a economia.
O economista Arthur Néo avalia que o desempenho registrado em julho representa uma mudança no ritmo da economia potiguar após um período de crescimento. Para ele, os números indicam uma possível normalização da atividade depois de uma fase de expansão mais intensa.
O sinal amarelo está aceso, mas não é um sinal vermelho definitivo. Estamos diante de uma possível normalização após um período de expansão forte”, afirmou.
A atenção do setor agora se volta para os últimos meses de 2026, especialmente para o último trimestre. O período concentra datas tradicionalmente associadas ao aumento do consumo, como a Black Friday e o Natal.
Apesar da sequência de resultados negativos desde março, o comércio varejista potiguar mantém crescimento no acumulado de 2026. A alta de 4,2% entre janeiro e julho, na comparação com os sete primeiros meses de 2025, mostra que o setor ainda opera acima do desempenho registrado no ano passado.
Os resultados dos próximos meses serão importantes para determinar se a desaceleração observada no primeiro semestre terá impacto maior sobre o resultado anual.
O desempenho das vendas durante a Black Friday e o período natalino também deverá ser acompanhado pelo setor, que espera uma reação do consumo no fim do ano para definir o ritmo da atividade comercial no segundo semestre.
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