Cidades
Publicado em 28/04/2026, às 06h48 Malu Machado
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (28) a Operação Evolution.
A investigação visa desarticular um sofisticado grupo criminoso que utilizava uma empresa de fachada no setor de distribuição de alimentos como peça central para conferir aparência de legitimidade a veículos de luxo de origem ilícita.
Segundo as investigações, o esquema contava com a corrupção de processos de registro e licenciamento dentro do Detran/RN.
O nome da operação é uma alusão ao núcleo do esquema técnico: a “evolução” documental impossível de um veículo para outro.
Através da infiltração de dados falsos, os criminosos realizavam a “mágica” de transformar o registro de um ciclomotor (uma simples motocicleta de 50 cilindradas) em um veículo de alto padrão.
Além do aspecto técnico, o nome também faz uma alusão irônica à súbita e injustificável evolução econômica dos alvos, que ostentavam movimentações financeiras incompatíveis com suas rendas declaradas.
A suspeita é de que a empresa de alimentos foi criada exclusivamente para servir de anteparo documental. Através dela, o grupo simulava uma frota comercial para “lavar” veículos de origem criminosa.
Entre 2017 e 2019, a empresa adquiriu 29 veículos de luxo sem qualquer atividade comercial real que justificasse tal patrimônio. A conta desta pessoa jurídica movimentou, sozinha, o montante de R$ 21.958.414,59.
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A investigação constatou que chassis de ciclomotores eram usados para criar registros virtuais de automóveis de luxo que nem sequer existiam fisicamente no momento do cadastro.
Após a criação dos dados no sistema, os criminosos aguardavam ou encomendavam o roubo de veículos com características semelhantes para realizar a compatibilização física e documental, garantindo a circulação livre e sem restrições destes automóveis.
Para manipular os processos do Detran/RN, o grupo contava com uma estrutura de suporte composta por:
A Justiça determinou o bloqueio judicial de toda a frota vinculada à empresa de fachada. Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão nos municípios potiguares de Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante, além de endereços vinculados a investigados em Caruaru (PE) e Timon (MA).
A Operação Evolution apura crimes de:
A ação contou com o apoio operacional da Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e dos Ministérios Públicos de Pernambuco, Maranhão e Piauí, por meio de seus respectivos Gaecos.
Todo o material eletrônico e documental apreendido passará por análise para detalhar a extensão da rede e identificar outros envolvidos.
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