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Empresa de alimentos era usada em fraudes no Detran, aponta investigação; saiba como

Divulgação/MPRN
Ministério Público do RN desmantela esquema que usava empresa de alimentos para legalizar veículos de luxo roubados  |   BNews RN - Divulgação Divulgação/MPRN

Publicado em 28/04/2026, às 09h17   Malu Machado



A Operação Evolution, deflagrada nesta terça-feira (28) pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), revelou um esquema sofisticado que utilizava uma empresa de fachada no setor de distribuição de alimentos para legalizar veículos de luxo roubados.

A investigação aponta que o Detran/RN era utilizado para a manipulação sistemática de dados, onde registros reais de motocicletas eram convertidos ilegalmente em documentos de carros de luxo 

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Como funcionava o esquema?

A fraude era estruturada em etapas técnicas que permitiam a circulação de veículos ilícitos como se fossem novos:

  • Identidade emprestada: os criminosos utilizavam números de chassis de ciclomotores (as populares "cinquentinhas").
  • Infiltração digital: com o apoio de servidores e despachantes cooptados, o grupo inseria dados falsos no sistema. O registro, que originalmente era de uma motinha de 50 cilindradas, era alterado para o de um carro de alto padrão (BMW, Mercedes, Hilux).
  • Veículo fantasma: o sistema criava um registro de um carro de luxo que ainda não existia fisicamente.
  • Compatibilização física: após o registro pronto, o grupo buscava ou encomendava o roubo de um veículo real com as mesmas características para remarcar o chassi e "casar" o documento falso com o carro roubado.

O papel da distribuidora de alimentos

A investigação do Gaeco aponta que a empresa de alimentos servia exclusivamente como anteparo documental. Ela simulava ter uma "frota comercial" para justificar a posse de veículos de luxo.

Os números são impressionantes: entre 2017 e 2019, mesmo sem atividade comercial real, a empresa adquiriu 29 veículos de luxo. A movimentação bancária da conta jurídica chegou a R$ 21.958.414,59, valores totalmente incompatíveis com o patrimônio declarado.

Desdobramentos e prisões

Para garantir que o esquema funcionasse sem erros, o grupo contava com:

  • Agentes financiadores: injetavam capital na empresa de fachada.
  • Servidores e despachantes: validavam a entrada de dados falsos no sistema Denatran, via Detran/RN.

A Justiça já determinou o bloqueio de toda a frota ligada à empresa. Ao todo, 10 mandados de busca e apreensão foram cumpridos hoje em Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante, além de Caruaru (PE) e Timon (MA). O material apreendido será periciado para identificar novos integrantes da rede criminosa.

Classificação Indicativa: Livre

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