Cidades
O Ministério da Saúde do Brasil lançou um serviço de teleatendimento gratuito para tratar dependência em jogos e apostas, em resposta ao crescimento desse mercado e suas implicações para a saúde pública. A iniciativa visa aumentar o acesso ao tratamento, especialmente para aqueles que evitam atendimento presencial.
Com um investimento de R$ 2,5 milhões, o serviço, que pode atender até 600 pacientes por mês, oferece consultas por vídeo com uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos e psiquiatras. Dados do Ministério indicam que, em 2025, apenas 6.157 atendimentos presenciais foram registrados, evidenciando a necessidade de mais suporte.
Além do teleatendimento, o governo implementou uma plataforma de autoexclusão para usuários de apostas e avança com um projeto de lei para restringir a publicidade do setor. Essas medidas refletem um esforço para tratar a dependência em apostas como uma questão de saúde pública e garantir que o tratamento acompanhe a rápida expansão do mercado.
O crescimento das apostas esportivas e dos jogos digitais no Brasil começou a chamar a atenção das autoridades de saúde pública. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde anunciou um novo serviço dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) voltado ao tratamento de pessoas com dependência em jogos e apostas.
A iniciativa consiste em um teleatendimento gratuito, criado para ampliar o acesso ao acompanhamento especializado, especialmente entre usuários que raramente procuram atendimento presencial.
O projeto foi desenvolvido em parceria com o Hospital Sírio-Libanês e passou a integrar o aplicativo Meu SUS Digital, plataforma oficial de serviços online da saúde pública brasileira.
Para viabilizar o serviço, o governo federal destinou R$ 2,5 milhões em investimentos. A estrutura criada tem capacidade estimada para atender até 600 pacientes por mês.
A estratégia busca reduzir obstáculos comuns enfrentados por quem precisa de tratamento, como constrangimento, dificuldade de deslocamento ou até a falta de reconhecimento do problema como uma condição de saúde.
Dados do próprio Ministério da Saúde indicam que o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas em 2025, número considerado pequeno diante da rápida expansão desse mercado no país.
Atendimento ocorre por vídeo e pode ter até 13 sessões
O acompanhamento oferecido pelo SUS ocorre por meio de consultas realizadas por vídeo, seguindo um formato estruturado de atendimento.
Cada sessão tem duração média de 45 minutos, e o processo terapêutico pode incluir até 13 encontros por paciente, conforme avaliação clínica dos profissionais responsáveis.
A equipe responsável pelo atendimento reúne diferentes especialistas da área da saúde.
• Psicólogos
• Terapeutas ocupacionais
• Psiquiatras (quando há necessidade de avaliação médica)
Além do suporte clínico direto, o acompanhamento pode envolver articulação com a rede de saúde e assistência social do território onde o paciente vive, incluindo equipes de medicina da família.
O serviço está disponível para pessoas com 18 anos ou mais. Familiares e integrantes da rede de apoio também podem participar do processo, já que muitas vezes são os primeiros a perceber sinais de dependência.
Segundo o Ministério da Saúde, todo o atendimento segue as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo sigilo e segurança das informações dos usuários.
Veja como agendar o atendimento pelo aplicativo do SUS
O acesso ao serviço foi estruturado para ser simples e totalmente digital; veja como seguir:
1. Instalar o aplicativo Meu SUS Digital (Android ou iOS) ou acessar a versão online
2. Entrar na plataforma utilizando o login Gov.br
3. Acessar a área chamada “Miniapps”
4. Selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”
Após essa etapa inicial, a plataforma envia orientações por WhatsApp para orientar o usuário.
Antes do encaminhamento para consulta, a pessoa realiza um autoteste desenvolvido por especialistas brasileiros, composto por perguntas que ajudam a identificar o nível de risco relacionado ao comportamento de apostas.
Dependendo do resultado obtido, o sistema pode direcionar automaticamente o usuário para o teleatendimento.
Nos casos classificados como baixo risco, a orientação é buscar acompanhamento presencial na rede pública de saúde.
• Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
• Unidades Básicas de Saúde (UBS)
Governo também investe em ferramenta de autoexclusão
Além do teleatendimento, o governo federal iniciou outras iniciativas para enfrentar os impactos sociais provocados pelo crescimento das apostas esportivas no Brasil.
Uma das medidas é a criação de uma plataforma de autoexclusão, que permite ao próprio usuário bloquear seus dados em sites de apostas online.
A ferramenta tem como objetivo evitar recaídas durante o tratamento e impedir que a pessoa volte a acessar plataformas de jogo.
Paralelamente, um projeto de lei que limita a publicidade de casas de apostas avança no Congresso Nacional, ampliando o debate sobre os efeitos desse mercado no país.
Dependência em apostas passa a ser tratada como tema de saúde pública
A criação do teleatendimento marca um avanço na forma como o poder público passa a lidar com o problema.
Com o crescimento acelerado das plataformas digitais de apostas e a presença cada vez maior de publicidade do setor, especialistas alertam que prevenção, diagnóstico e tratamento precisam acompanhar essa expansão.
Nesse contexto, o atendimento remoto dentro do SUS surge como uma ferramenta para ampliar o acesso ao cuidado e reforçar que o vício em apostas deve ser tratado como uma questão relevante de saúde pública no Brasil.
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