Cidades
Secas severas, chuvas volumosas e incêndios florestais, são alguns dos efeitos do Super El Niño 2026, fenômeno com atuação no Oceano Pacífico, que pode afetar diretamente os biomas do Brasil, principalmente aqui do Nordeste, bem como o semiárido potiguar, segundo informou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Segundo o Ibama, mais de 260 municípios do Nordeste estão em alerta máximo para incêndios florestais, por exemplo, conforme dados e estudos de órgãos ambientais de monitoramento.
Em entrevista ao portal BNews RN, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmidt, contextualizou e alertou sobre o atual momento do fenômeno, que é considerado um dos mais severos registrados e pode provocar estiagens prolongadas, redução das chuvas, aumento das temperaturas e mudanças nos ventos.
Segundo Schmidt, entre as principais preocupações dos órgãos ambientais está o aumento do risco de incêndios florestais.
Nós temos direcionado esforços para prevenir e controlar incêndios florestais agravados, aumentados com maior intensidade em decorrência do El Niño”, afirmou o presidente do Ibama.
No período de seca, combinado com temperaturas elevadas e baixa umidade, o cenário climático deixa a vegetação mais vulnerável ao fogo.
A preocupação é ainda maior em áreas do semiárido nordestino, onde os períodos de estiagem já têm essa configuração climática. No Rio Grande do Norte, o cenário exige atenção especial por causa das características naturais da região, que podem ser agravadas por condições provocadas pelo fenômeno.
Os dados apresentados pelo presidente do Ibama, apontam que cerca de 266 municípios do Nordeste estão em alerta máximo para a ocorrência de incêndios florestais, inclusive no RN.
"Outros 282 municípios estão em alerta laranja, considerado de alta atenção. Os níveis de alerta podem ser atualizados conforme novas informações climáticas sejam produzidas pelos órgãos de monitoramento", o porta-voz do IBAMA.
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Ainda segundo Jair Schmidt, todo o território potiguar está classificado em nível de atenção para incêndios florestais, indicando uma condição sensível e uma probabilidade elevada de ocorrência de queimadas.
O presidente do Ibama explicou que as condições climáticas podem facilitar a propagação das chamas.
“É que com menos chuva, a vegetação perde umidade e fica mais suscetível à combustão. As ondas de calor e as rajadas de vento também ajudam a aumentar a possibilidade de incêndios e dificultar o controle das áreas atingidas. Quando você tem um período mais longo de estiagem, para chover menos, você tem as plantas, os vegetais ali desidratados, com menos umidade”, ressaltou Jair.
Os impactos do El Niño não ficam restritos ao meio ambiente. Grandes incêndios podem destruir plantações, áreas de pastagem e alimentos destinados à criação de animais, além de ameaçar residências.
"A fumaça também piora a qualidade do ar e pode aumentar o risco de problemas respiratórios", frisou Schmidt.
Até quando deve durar o El Niño?
A previsão apresentada na entrevista ao BNews RN, pelo IBAMA, é de que o El Niño permaneça até o primeiro semestre de 2027. O período considerado mais crítico deve ocorrer entre setembro e novembro, com possibilidade de extensão dos efeitos para dezembro.
O que o Governo Federal está fazendo?
Para enfrentar os possíveis impactos, o Governo Federal anunciou em julho recursos superiores a R$ 1,3 bilhão para ações relacionadas ao fenômeno. Os recursos também são destinados a Estados e Corpos de Bombeiros para reforçar equipamentos e estruturas de prevenção e combate aos incêndios.
Além dos incêndios, o El Niño pode trazer consequências para o abastecimento de água e para a produção agrícola. Apesar disso, segundo Schmidt, os níveis dos reservatórios nordestinos estavam, até esta semana de agosto, em situação considerada aceitável.
"O governo também reforça ações como a operação de caminhões pipa e o abastecimento de comunidades rurais isoladas".
As decisões dos órgãos públicos são baseadas em informações e estudos produzidos por instituições científicas e meteorológicas, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), universidades e centros de pesquisa. Os dados também são complementados por sistemas de monitoramento internacionais e imagens de satélite.
Orientações
O alerta ganha força justamente às vésperas do período considerado mais crítico para os efeitos do El Niño no Nordeste, a partir deste mês de setembro.
"Por isso, a orientação é que moradores das regiões do semiárido potiguar, do RN e do Nordeste, acompanhem os alertas dos órgãos oficiais e evitem qualquer prática que envolva fogo em áreas de vegetação, contribuindo para reduzir o risco de grandes incêndios durante a temporada de 2026-2027", concluiu Jair Schmidt, presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Como atua o fenômeno ?
O El Niño, é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e que pode alterar o comportamento do clima em diferentes regiões do Brasil.
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