Cidades
A indústria de transformação brasileira prevê uma perda significativa de participação no mercado interno para produtos importados, especialmente da China, com um déficit recorde de US$ 146,4 bilhões na balança comercial de manufaturados em 2026.
O aumento das importações é atribuído à baixa competitividade da indústria nacional, exacerbada por juros altos e custos estruturais, além da eliminação da 'taxa das blusinhas', que facilitou a entrada de produtos estrangeiros.
As entidades do setor pedem medidas de defesa comercial e a redução de juros para melhorar a competitividade, enquanto projetam investimentos de R$ 1,1 trilhão entre 2026 e 2030, apesar do cenário desafiador.
A indústria de transformação brasileira avalia que perderá ainda mais espaço para produtos importados no mercado interno ao longo de 2026, principalmente para mercadorias vindas da China. O alerta foi feito pela Coalizão Indústria, grupo que reúne entidades de diversos segmentos industriais do país.
Segundo a entidade, a previsão é de que o Brasil registre um déficit recorde de US$ 146,4 bilhões na balança comercial de produtos manufaturados no próximo ano.
De acordo com representantes do setor, o avanço das importações ocorre em um cenário de baixa competitividade da indústria nacional, marcado por juros elevados, custos estruturais da economia brasileira e aumento da entrada de produtos estrangeiros.
A coalizão também relaciona a pressão sobre empresas nacionais à derrubada do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, medida conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”.
A Coalizão Indústria reúne representantes de áreas como aço, automotivo, alimentos, brinquedos, calçados, construção civil, máquinas, têxtil, plástico, farmacêutico e eletroeletrônico. Juntos, os segmentos representam cerca de 44,8% do Produto Interno Bruto industrial brasileiro.
Durante coletiva realizada em São Paulo, as entidades afirmaram que o problema não está na importação em si, mas na concorrência com produtos subsidiados ou produzidos com custos menores em outros países.
O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, afirmou que a indústria brasileira busca igualdade nas condições de competitividade.
Já Marco Polo de Mello Lopes, coordenador da Coalizão Indústria e presidente executivo do Instituto Aço Brasil, declarou que cerca de um terço do mercado brasileiro de aço foi ocupado por importações em 2025.
As projeções da entidade indicam crescimento industrial abaixo de 2% em 2026, enquanto as importações devem avançar cerca de 6%.
Para Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o mercado interno brasileiro está sendo ocupado por produtos estrangeiros em ritmo mais acelerado do que o crescimento da produção nacional.
As entidades defendem o fortalecimento de mecanismos de defesa comercial, como medidas antidumping e salvaguardas, além da redução dos juros e de ações voltadas à diminuição do chamado “custo Brasil”, relacionado a entraves tributários, burocráticos e logísticos.
Apesar do cenário considerado preocupante, a Coalizão Indústria informou que os setores representados mantêm previsão de investimentos de aproximadamente R$ 1,1 trilhão entre 2026 e 2030.
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