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RN bate recorde e quase dobra número de transplantes de medula óssea em seis anos

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Dados da Central Estadual de Transplantes mostram que o número de transplantes de medula quase dobrou desde 2019, refletindo um avanço importante  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Raimundo Brasil

Publicado em 22/01/2026, às 07h03   Malu Machado



O Rio Grande do Norte registrou um aumento de 12,72% nos transplantes de medula óssea entre 2024 e 2025, passando de 165 para 186 procedimentos, refletindo um avanço significativo na área de saúde do estado.

Desde 2019, o número de transplantes de medula quase dobrou, com a Central Estadual de Transplantes atribuindo esse crescimento a investimentos na rede de assistência e à ampliação de hospitais que realizam os procedimentos.

Atualmente, 16 pessoas aguardam transplante de medula óssea no estado, e a Hatmo-RN, uma associação de apoio, tem contribuído para o acolhimento de pacientes, enquanto o total de transplantes de órgãos e tecidos em 2025 alcançou 426, um aumento de 36,53% em relação a 2019.

Resumo gerado por IA

O Rio Grande do Norte consolidou, entre 2024 e 2025, um avanço significativo na área de transplantes. O destaque absoluto ficou para os procedimentos de medula óssea, que registraram um crescimento de 12,72% no último ano, saltando de 165 para 186 intervenções. 

Os dados, levantados pela Central Estadual de Transplantes do RN, revelam uma evolução ainda mais impressionante quando analisado o recorte histórico: desde 2019, quando foram realizados 97 procedimentos, o número de transplantes de medula quase dobrou no estado.

De acordo com a nefrologista Rogéria Nunes, coordenadora da Central vinculada à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), esse crescimento não é fruto do acaso, mas sim de um investimento na rede de assistência. 

Aumentamos o número de hospitais que fazem transplante de medula. Antes era apenas o Hospital Rio Grande e, a partir do ano passado, a Liga Contra o Câncer e a Casa de Saúde São Lucas também iniciaram os procedimentos. Além disso, houve um aumento real no número de leitos dedicados a esses pacientes”, explica a coordenadora.

O protagonismo das unidades de saúde

O Hospital Rio Grande segue como a principal referência, sendo responsável  por 154 dos transplantes realizados em 2025. Em um comunicado à imprensa, a unidade informou que, no acumulado entre 2017 e 2025, já realizou 949 transplantes, sendo uma parcela expressiva desses procedimentos executada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A "loteria" da compatibilidade e o papel do doador

Atualmente, 16 pessoas aguardam na fila pelo transplante de medula óssea no RN. Rogéria Nunes detalha que existem dois caminhos para a cura: 

  • Doadores aparentados: familiares compatíveis que doam para pacientes com leucemia ou mieloma
  • Doadores voluntários: cadastrados no Redome - Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea
É como se fosse uma loteria. O paciente precisa encontrar alguém que seja muito compatível. Quanto mais pessoas estiverem registradas, maior a probabilidade de encontrar alguém compatível e essa medula chegar a tempo”, ressalta a médica.

No Rio Grande do Norte, o processo começa no Hemonorte, onde o voluntário coleta uma amostra de sangue para cadastro. Caso a compatibilidade seja confirmada em qualquer lugar do país — já que o sistema é nacional —, o doador realiza o procedimento sob anestesia, e o material coletado é infundido no receptor de forma semelhante a uma transfusão de sangue.

Solidariedade que sustenta a vida

Para além dos hospitais, o suporte humano é fundamental. Rosali Cortez, presidente da associação Hatmo-RN (Humanização e Apoio ao Transplantado de Medula Óssea do RN), define o ato de doação como a linha tênue entre a vida e a morte. 

A Hatmo-RN, que completa 18 anos de existência, atua no acolhimento de pacientes e familiares que muitas vezes vêm do interior do estado ou de outras regiões. A entidade mantém duas casas de apoio, oferece enxovais, cestas básicas e conta com uma equipe multidisciplinar. 

Para Rosali, o aumento nos números reflete uma maior conscientização da sociedade. “Tem aumentado o número de cadastros, o número de transplantes e, consequentemente, a sobrevida dos pacientes”, afirma.

Panorama geral

O balanço total de transplantes de órgãos e tecidos no estado em 2025 fechou em 426 procedimentos, um aumento de 36,53% em comparação aos 312 realizados em 2019.

O transplante de medula óssea lidera o ranking estadual, seguido por outras especialidades:

Números de transplantes realizados no RN nos últimos dois anos. Foto: gerada por Inteligência Artificial
Números de transplantes realizados no RN nos últimos dois anos. Foto: gerada por Inteligência Artificial

Especialistas lembram que, enquanto a medula e o rim podem ser doados em vida, a doação de múltiplos órgãos em caso de falecimento depende exclusivamente da autorização familiar, reforçando a importância de comunicar em vida o desejo de ser doador.

Classificação Indicativa: Livre

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