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Pesquisa feita por estudantes do RN é selecionada para fórum internacional da ONU

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Estudantes do curso técnico em Química do IERN foram selecionadas para apresentar pesquisa sobre biomassa no World Food Forum em Roma  |   BNews RN - Divulgação Divulgação
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 22/09/2026, às 08h00



As estudantes do curso técnico em Química do Instituto Estadual de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (IERN) foram selecionadas para apresentar o projeto de pesquisa “Ka’atinga” no World Food Forum, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália.

O trabalho desenvolvido por cinco jovens investiga o uso de biomassa produzida por microalgas na recuperação de solos degradados da Caatinga, mas a participação internacional depende da arrecadação de recursos para custear a viagem.

A pesquisa nasceu de uma questão presente no próprio território nordestino, a degradação dos solos da Caatinga. A partir disso, as estudantes passaram a investigar alternativas que possam auxiliar na recuperação de áreas afetadas, reunindo conhecimentos de química, biotecnologia, meio ambiente e sustentabilidade.

A seleção para o fórum internacional coloca a produção científica desenvolvida pelas estudantes da rede pública do Rio Grande do Norte em um espaço de discussão sobre alimentação, agricultura, sustentabilidade e o futuro dos sistemas alimentares. O evento reúne participantes de diferentes países, entre pesquisadores, instituições e jovens envolvidos com ciência e questões ambientais.

Pesquisa busca recuperar áreas degradadas

No projeto “Ka’atinga”, as estudantes analisam o potencial da biomassa produzida por microalgas como recurso para contribuir com a recuperação de terrenos que passaram por processos de degradação. A proposta relaciona a pesquisa científica a um problema ambiental diretamente ligado ao bioma presente em grande parte do Nordeste.

Além da investigação científica, o trabalho busca mostrar que problemas ambientais regionais podem gerar pesquisas e soluções desenvolvidas dentro das próprias escolas públicas. A iniciativa aproxima a formação técnica das estudantes de áreas como sustentabilidade e preservação ambiental.

A possibilidade de apresentar o estudo em Roma também pode ampliar o contato das jovens com pesquisadores, estudantes e instituições de outros países. A expectativa é que a participação contribua para dar maior visibilidade à pesquisa e possibilite novas oportunidades de continuidade do projeto.

Para as estudantes, a viagem representa ainda a chance de levar a produção científica potiguar para além do estado.

Queremos representar o Rio Grande do Norte, a ciência jovem do Nordeste e as escolas públicas brasileiras. A Caatinga também produz ciência, conhecimento e soluções que podem contribuir para um futuro mais sustentável”, afirmam.

Campanha tenta garantir viagem para a Itália

Apesar da seleção para o World Food Forum, a presença das estudantes em Roma ainda não está garantida. O grupo precisa arrecadar recursos para cobrir despesas como passagens aéreas, hospedagem, alimentação e outros custos relacionados à permanência na Itália.

Para viabilizar a viagem, as jovens iniciaram uma campanha de arrecadação e buscam apoio da sociedade, instituições, empresas e pessoas interessadas em contribuir com a iniciativa. As doações podem ser realizadas por meio do PIX [email protected], em nome de Josangela Bezerra da Silva.

A mobilização tem como objetivo reunir o valor necessário para levar as cinco estudantes ao evento. Caso a meta não seja alcançada, os recursos arrecadados serão destinados ao fomento das atividades de pesquisa do projeto, conforme as responsáveis pela iniciativa.

“A Caatinga precisa ser ouvida”

Além de tentar garantir a viagem, a campanha pretende ampliar a visibilidade da pesquisa e destacar a produção científica realizada por estudantes da educação pública. O trabalho também coloca em evidência a Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro que ocupa uma extensa área do território nordestino e enfrenta processos de degradação ambiental.

A apresentação no World Food Forum poderá levar o projeto “Ka’atinga” a um público internacional e aproximar as estudantes de iniciativas relacionadas à ciência, agricultura, meio ambiente e sustentabilidade.

“O Nordeste também faz ciência, e a Caatinga precisa ser ouvida” é uma das mensagens utilizadas pelas estudantes durante a mobilização. A frase resume a intenção de apresentar, fora do estado e do país, uma pesquisa construída a partir de uma realidade ambiental nordestina.

O projeto “Ka’atinga na FAO” reúne, assim, a continuidade da investigação sobre a recuperação de solos degradados e o esforço para levar o estudo desenvolvido no Rio Grande do Norte a um fórum internacional. Para as estudantes, a participação em Roma representa a possibilidade de mostrar que a escola pública também pode produzir conhecimento científico voltado a desafios ambientais do próprio território.

Classificação Indicativa: Livre

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