Cidades
por Lavínia Manso
Publicado em 11/09/2026, às 09h02
A Polícia Científica concluiu que não foi possível identificar uma causa técnica específica para as mortes de duas pacientes durante sessões de hemodiálise no Centro de Diálise de Mossoró, em 24 de março de 2026. O laudo não encontrou falhas específicas nas máquinas, erros operacionais comprovados ou as substâncias pesquisadas nas amostras analisadas.
As pacientes Raquel Ferreira da Silva Cabral, de 54 anos, e Iraci Inácio de Lima, de 75, passaram mal pouco depois do início das sessões e sofreram paradas cardiorrespiratórias. A perícia foi realizada dois dias depois, em 26 de março, pelo perito criminal Clélio Diogo Soares.
Um dos principais obstáculos apontados no documento foi a impossibilidade de analisar a água utilizada nas sessões nas mesmas condições do dia das mortes. Antes da chegada dos peritos, partes do sistema de tratamento haviam sido substituídas, enquanto a água, soluções e outros materiais foram descartados.
Mesmo sem acesso à água original, a perícia coletou novas amostras em diferentes pontos do sistema, incluindo antes e depois das etapas de filtragem e purificação. Os exames pesquisaram medicamentos, agrotóxicos, drogas e solventes, mas nenhuma das substâncias foi identificada dentro dos limites dos métodos utilizados.
Também foi analisado o dialisador utilizado por Iraci. Os peritos retiraram cerca de 5 mililitros de sangue que ainda estavam no circuito e realizaram exames toxicológicos, que também não apontaram as substâncias pesquisadas.
O laudo ainda analisou o ácido peracético, utilizado na desinfecção dos dialisadores. Embora o documento destaque que resíduos do produto podem provocar reações adversas, a perícia não estabeleceu relação entre a substância e as mortes.
Os registros dos equipamentos mostraram que uma sessão começou às 6h07 e foi interrompida cerca de quatro minutos e meio depois. A outra teve início às 10h15 e foi interrompida três segundos depois. Nos dois casos, a interrupção ocorreu manualmente pela equipe técnica.
A perícia também verificou um controle da água realizado em 23 de março, um dia antes das mortes. Na ocasião, os registros indicavam água clara, sem cor ou odor, além de parâmetros dentro do controle da unidade.
Segundo o laudo, porém, esse resultado não permite afirmar que a água apresentava as mesmas condições no dia seguinte, quando ocorreram as mortes.
Ao final, a Polícia Científica afirmou não ter identificado falhas técnicas específicas, erros operacionais comprovados ou contaminação pelas substâncias pesquisadas que permitissem estabelecer uma relação causal com os óbitos.
O documento também aponta que a ausência de exame necroscópico médico-legal das vítimas limitou a investigação. O laudo será encaminhado à Polícia Civil, responsável pelo caso por meio da 39ª Delegacia de Polícia de Mossoró.
Após as mortes, o Centro de Diálise teve os atendimentos interrompidos por interdição cautelar da Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte. Na época, a unidade informou que havia ocorrido uma intercorrência técnica no equipamento responsável pelo sistema de osmose, utilizado no tratamento da água.
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