Cidades
Publicado em 06/04/2026, às 11h44 Malu Machado
A paralisação dos motoristas de ônibus na Região Metropolitana de Natal, motivada por uma crise financeira no setor, deixou passageiros sem transporte e evidenciou o impacto do aumento dos custos operacionais, especialmente do óleo diesel.
O litro do diesel subiu R$ 1,00 no último mês, resultando em um aumento de R$ 200 mil nas despesas mensais para empresas de médio porte, o que levou ao atraso no pagamento de salários e à demissão de motoristas.
A Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (FETRONOR) exige apoio do governo estadual, incluindo subsídios e um posicionamento do Departamento de Estradas de Rodagem, para garantir a continuidade do serviço essencial de transporte intermunicipal.
Após a paralisação surpresa que deixou passageiros sem transporte na Região Metropolitana de Natal nesta segunda-feira (6), a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (FETRONOR) emitiu nota oficial justificando a crise financeira do setor. Segundo a entidade, o movimento dos motoristas é reflexo de um "forte desequilíbrio" causado pelo aumento contínuo dos custos operacionais.
O principal vilão apontado pelas empresas é o óleo diesel. A FETRONOR detalha que, no último mês, o litro do combustível subiu, em média, R$ 1,00. Para uma empresa de médio porte que consome 200 mil litros mensais, isso representa um acréscimo súbito de R$ 200 mil nas despesas.
A nota confirma que as empresas já haviam comunicado na semana passada que o pagamento dos salários de março seria feito de forma escalonada ao longo desta semana por falta de caixa. O recolhimento dos ônibus, ordenado pelo Sintro/RN (Sindicato dos Rodoviários), ocorreu justamente em protesto a esse atraso.
A Federação reforça as críticas à ausência de apoio do poder público:
A paralisação, que começou nas primeiras horas da manhã, resultou em paradas lotadas e veículos recolhidos às garagens. Como já apurado pelo portal POR DENTRO DO RN, uma das empresas da região já confirmou a demissão de 50 motoristas e a retirada definitiva de 25 ônibus de circulação devido à insustentabilidade do sistema.
A FETRONOR afirma que permanece aberta ao diálogo, mas condiciona a normalização das atividades a medidas que minimizem os efeitos da alta dos custos.
Leia nota da Federação na íntegra:
"A Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (FETRONOR) informa que foi surpreendida, na manhã desta segunda-feira, com a paralisação de motoristas que operam as linhas intermunicipais no Rio Grande do Norte.
O movimento ocorre em um cenário de forte desequilíbrio financeiro do setor. Na semana passada, as empresas já haviam comunicado que o pagamento dos salários do mês de março seriam pagos de forma escalonada ao longo desta semana, diante das dificuldades de caixa provocadas, principalmente, pelo aumento contínuo no custo do diesel.
No último mês houve um acréscimo médio de cerca de R$ 1,00 no litro do combustível. Uma empresa que consome aproximadamente 200 mil litros por mês teve um aumento de cerca de R$ 200 mil mensais nas despesas operacionais.
Diante desse quadro, a FETRONOR reforça a necessidade de um posicionamento urgente do governo estadual com medidas que possam minimizar os efeitos da alta dos custos e assegurar a continuidade do transporte intermunicipal, serviço essencial à população.
A entidade segue acompanhando a situação e permanece aberta ao diálogo na busca por soluções que garantam o funcionamento do sistema com equilíbrio e previsibilidade."
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