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Nova cadeia no RN muda de local após decisão da Justiça suspender obra na Zona Norte; veja o novo destino

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A nova unidade prisional no bairro Potengi enfrenta controvérsias, com ações do Ministério Público e protestos da população  |   BNews RN - Divulgação reprodução e montagem com Canva
ELÍ Bernardo

por ELÍ Bernardo

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Publicado em 25/09/2026, às 09h23



O imbróglio envolvendo a construção da nova cadeia pública do Rio Grande do Norte teve um novo capitulo. Desta vez, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) acolheu o recurso do Estado e suspendeu as decisões judiciais que determinavam a execução imediata das obras de uma nova unidade prisional no bairro Potengi, na zona Norte de Natal.

Nova cadeia no RN muda de local após decisão da Justiça suspender obra na Zona Norte; veja o novo destino
Nova cadeia no RN muda de local após decisão da Justiça suspender obra na Zona Norte; veja o novo destino

A decisão liminar, foi proferida pela desembargadora federal convocada, Elise Avesque Frota, quem também suspendeu a imposição de multa diária de R$ 500 mil ao Estado e a ordem de assinatura compulsória do contrato de engenharia.

Com a medida, agora o Governo do Estado obteve autorização judicial para reavaliar a localização do estabelecimento prisional, confirmando a transferência do projeto para o Complexo Prisional de Alcaçuz.

A controvérsia da localização da nova prisão decorre de uma ação civil pública estrutural movida pelo Ministério Público Federal (MPF), pelo Ministério Público Estadual (MP-RN) e pelo Sindicato dos Policiais Penais (Sindppen-RN), que tramita desde 2016 na 5ª Vara Federal do RN para cobrar a criação de vagas no sistema penitenciário potiguar.

O procurador-geral do Estado, Antenor Roberto, afirma que no início das discussões, o déficit era de mais de 3.500 vagas. “Já entregamos 1.500 e, no curto prazo, conseguimos recursos para criar mais cerca de 200 novas vagas em regime fechado”, explicou.

O conflito iniciou em 25 de agosto de 2026, quando o Estado assinou o contrato com a empresa HB Engenharia Ltda., no valor de R$ 7,13 milhões, com 189 vagas para erguer a unidade no Potengi. A governadora Fátima Bezerra havia anunciado a revogação da licitação no dia seguinte após protestos da população.

Em resposta, a juíza federal Moniky Mayara Costa Fonseca Dantas ordenou, em decisões de 28 de agosto e 2 de setembro, a continuação ininterrupta do contrato, argumentando que a desistência violaria a boa-fé processual e colocaria em risco o repasse de R$ 6,4 milhões do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).

Ao recorrer ao Tribunal responsável, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RN) sustentou que a indicação do terreno no Potengi foi uma mera proposta de trabalho, sem a formalização de acordo judicial ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) definitivo. O principal argumento técnico para a inviabilidade da obra foi o conflito com o Plano Diretor de Natal e a segurança pública.

A margem esquerda do Potengi, incluindo a Redinha, passou a integrar uma Área Especial de Interesse Turístico e Paisagístico, a AEITP 4. O Plano Diretor concebeu a zona Norte como vetor de expansão e desenvolvimento da cidade, aumentando o gabarito para atrair investimentos. Como é que eu vou chamar o empresariado para fazer investimentos na zona Norte e vou colocar um presídio lá?”, disse Antenor Roberto.

Além das questões urbanísticas e do apelo da comunidade, a PGE fundamentou a inviabilidade sob o aspecto da segurança pública: a proximidade com mangue, rio e mar geraria vulnerabilidade a fugas, ao passo que a estrutura de Alcaçuz já conta com logística, guaritas e protocolos operacionais consolidados para o regime fechado.

Ao investigar o recurso, a desembargadora Elise Avesque Frota ponderou que a intervenção do Judiciário em processos estruturais deve respeitar a separação dos poderes. Baseada no Tema 698 do STF, a desembargadora destacou que cabe ao Judiciário estabelecer metas gerais, sem impor escolhas operacionais rígidas ao administrador público.

A relatora também ressaltou que a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) deu um tempo maior, em 11 de setembro de 2026, para o prazo pra execução das verbas federais até 31 de dezembro de 2027, o que afasta o risco de perda financeira imediata alegado na primeira instância.

A suspensão da eficácia das decisões não impede a continuidade do processo estrutural nem afasta a obrigação estatal de buscar solução efetiva [...] Apenas preserva a possibilidade de a Administração avaliar a localização mais adequada”, escreveu a magistrada.


Efeitos e próximos passos

Agora, com a decisão, ficam suspensas as sanções financeiras e a exigência de obras na zona Norte. O Ministério Público Federal e o órgão Estadual deverão ser notificados para apresentar contrarrazões ao TRF5.

O Governo deve preparar os encaminhamentos para a próxima audiência de conciliação do caso, agendada para 27 de outubro.

A meta da gestão é chegar à audiência já com a obra na nova área em andamento. Para ganhar tempo, estuda-se o reaproveitamento do projeto executivo e do contrato já assinado com a empresa vencedora, mediante cláusula aditiva e estudos adicionais, como o licenciamento ambiental do novo solo em Alcaçuz, em Nísia Floresta.

Ainda segundo o procurador-geral, a empresa licitada está sendo notificada para dar o aceite. “Já tivemos outras experiências de licitações em que depois se precisou remanejar o imóvel”, disse Antenor.

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