Natal deu um passo histórico na luta contra as arboviroses com a inauguração da biofábrica do Método Wolbachia, instalada no bairro Felipe Camarão.
A cerimônia, realizada nesta quinta-feira (16), marcou o início das liberações dos mosquitos com Wolbachia, uma tecnologia inovadora desenvolvida pelo World Mosquito Program (WMP Brasil), em parceria com o Ministério da Saúde e a Fiocruz.
A meta é reduzir drasticamente os casos de dengue, Zika e chikungunya na capital potiguar.
Tecnologia natural e segura
O Método Wolbachia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti contendo a bactéria Wolbachia, um microrganismo presente em mais da metade dos insetos, mas que não existia no Aedes.
Quando esses mosquitos, apelidados de Wolbitos, se reproduzem com os mosquitos locais, as novas gerações passam a nascer incapazes de transmitir os vírus causadores das arboviroses.
De acordo com a gestora de implementação do WMP-Fiocruz, Ana Carolina Rabelo, a tecnologia é totalmente natural, segura e autossustentável, sem qualquer modificação genética.
“É um marco importante para Natal, porque reforça o combate às doenças e mostra o impacto positivo da ciência em favor da população”, destacou.
Estrutura moderna e produção potiguar
A biofábrica conta com cerca de 400 m² e estrutura completa para a produção e preparo dos Wolbitos, com salas de triagem, lavagem, eclosão e montagem dos tubos de liberação.
Profissionais capacitados serão responsáveis por todo o processo, desde a criação das larvas até a soltura dos mosquitos nos bairros da cidade.
O secretário municipal de saúde, Geraldo Pinho, ressaltou que a tecnologia representa um investimento direto na prevenção e na economia da saúde pública.
Reprodução/Assessoria SMS Natal
“É um momento histórico, porque saúde não é só tratar doenças, é também prevenir. Essa estratégia vai fortalecer o controle vetorial e reduzir os casos de arboviroses”, afirmou.
Liberação em 33 bairros de Natal
As liberações dos Wolbitos devem ocorrer ao longo de 20 semanas, em 33 bairros da capital, entre eles Alecrim, Felipe Camarão, Cidade Alta, Ponta Negra, Lagoa Nova, Rocas e Redinha.
Segundo o secretário de Estado da Saúde Pública, Alexandre Motta, os efeitos mais significativos devem ser observados cerca de dois anos após o término das liberações.
“É um avanço científico que trará benefícios duradouros para a cidade e para o estado”, avaliou.
Complemento às ações já existentes
De acordo com a coordenadora-geral de vigilância de arboviroses do Ministério da Saúde, Lívia Vinhal, o Método Wolbachia é uma ferramenta complementar às estratégias já adotadas pela gestão municipal, como o LIRAa, o uso de ovitrampas, a vacinação contra a dengue e as ações de educação em saúde.
“Combater arboviroses é um desafio que envolve muitos setores. Este método é resultado de anos de pesquisa e representa um grande avanço no controle dessas doenças”, enfatizou.
Resultados já comprovados no país
A iniciativa já apresentou resultados expressivos em outras cidades brasileiras. Em Niterói (RJ), o primeiro município a ter o território totalmente coberto pelo método, houve uma redução de 89% nos casos de dengue em comparação ao período anterior à implementação.
Em 2024, quando o Brasil enfrentou sua maior epidemia da doença, Niterói registrou um índice de 374 casos por 100 mil habitantes, muito abaixo da média nacional de 3.157.
Com a chegada da biofábrica, Natal se une a uma rede global de cidades que utilizam o Método Wolbachia como ferramenta científica e sustentável para proteger a população e promover uma nova era no combate às arboviroses.