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Mina da Segunda Guerra Mundial pode ser reativada por empresa australiana no RN

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A empresa australiana Gold Mountain firmou acordo para avaliar a mina Malhada do Angico, com foco na produção de tungstênio  |   BNews RN - Divulgação Magnific
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 06/10/2026, às 09h34



A empresa australiana Gold Mountain anunciou nesta segunda-feira (5) um acordo para avaliar a possível retomada da produção de tungstênio na antiga mina Malhada do Angico, próxima a Parelhas, no Seridó do Rio Grande do Norte. Com um pagamento inicial de R$ 1 milhão, a companhia garantiu exclusividade por 12 meses para estudar o potencial da área e as condições para adquirir os direitos minerários.

O projeto ocupa aproximadamente 857 hectares e remonta à Segunda Guerra Mundial, quando o tungstênio ganhou importância para a indústria bélica. Conhecido como “mineral de guerra”, o metal é empregado em ligas resistentes e aços especiais, com aplicações nos setores de defesa, aeroespacial e de semicondutores.

A negociação foi firmada com a Emprogeo Mining Business, mas ainda não representa a compra do projeto nem a confirmação de que a mina voltará a operar. Durante o período de exclusividade, a Gold Mountain realizará avaliações técnicas, jurídicas e regulatórias para decidir se dará continuidade ao negócio.

Compra depende de análise e aval da agência reguladora

O valor total previsto no acordo pode alcançar R$ 3 milhões. Depois do desembolso inicial, a empresa poderá pagar mais duas parcelas de R$ 1 milhão, vinculadas ao avanço da regularização dos direitos minerários.

A segunda parcela depende de uma decisão favorável da Agência Nacional de Mineração (ANM) sobre o Relatório Final de Pesquisa apresentado em 2016. A Gold Mountain também precisa considerar satisfatório o resultado de sua avaliação técnica.

Já o último pagamento está condicionado à autorização da ANM para transferir os direitos minerários à companhia australiana. O processo permanece em análise pelo órgão.

Pesquisas começam pelos rejeitos da antiga operação

A Gold Mountain já iniciou perfurações com trado nos rejeitos acumulados durante a exploração anterior. O trabalho busca medir a espessura desse material, estimar a concentração de tungstênio e recolher amostras para testes metalúrgicos. Os resultados ainda não foram divulgados.

Outra etapa em preparação é a sondagem diamantada, destinada a investigar se a mineralização continua abaixo e ao redor das antigas áreas de extração. O programa prevê pesquisar cerca de dois quilômetros da formação geológica, com perfurações que poderão alcançar aproximadamente 120 metros de profundidade.

Essa fase depende das licenças ambientais e regulatórias.

Estamos acelerando o programa de exploração e iniciaremos a perfuração assim que as licenças necessárias forem obtidas”, afirmou David Evans, diretor-executivo da Gold Mountain.

Demanda internacional estimula interesse pelo tungstênio

Segundo a companhia, a Mineração Fluminense operou a Malhada do Angico durante a Segunda Guerra Mundial. Na época, eram extraídas rochas com scheelita, principal mineral de minério de tungstênio encontrado na região, e o processamento ocorria na própria área.

O interesse atual pelo projeto acompanha o aumento da procura por tungstênio em 2026, em um cenário de oferta reduzida e maior demanda de setores industriais. Países ocidentais também buscam diminuir a dependência da China, responsável por cerca de 80% da produção mundial do mineral.

No Seridó, as pesquisas deverão indicar se o potencial da antiga mina justifica a aquisição e uma eventual retomada da atividade. Por enquanto, a empresa mantém o projeto em avaliação.

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