Cidades
por Lavínia Manso
Publicado em 24/08/2026, às 09h05
As mensalidades das escolas particulares brasileiras podem ficar até 11% mais caras no próximo ano letivo, segundo levantamento da consultoria de gestão educacional Meira Fernandes. A pesquisa, realizada com 300 instituições de ensino de oito estados, aponta que 98% das escolas consultadas planejam aumentar os valores, com oito em cada dez projetando reajustes entre 7% e 11%.
A alta deve afetar diretamente o orçamento de famílias que mantêm filhos na rede privada, principalmente durante o período de rematrículas. Além da mensalidade, os responsáveis precisam considerar outros gastos associados ao início do ano letivo, como material escolar, uniformes, transporte e atividades extracurriculares.
De acordo com o levantamento, o aumento dos custos operacionais é um dos principais motivos apontados pelas instituições para justificar os reajustes. Despesas com infraestrutura, segurança digital, projetos pedagógicos e adequações para atender às normas de educação inclusiva estão entre os fatores considerados.
Os gastos com profissionais também têm influência significativa na definição dos novos valores. Salários de professores e funcionários administrativos estão entre as despesas incorporadas pelas instituições no cálculo das mensalidades para o próximo ano.
Em São Paulo, por exemplo, o reajuste salarial dos professores foi estabelecido em 6,95% em março. O percentual passou a ser utilizado como referência por parte das instituições para projetar os custos educacionais.
As escolas também consideram outros fatores na composição dos preços, como índices de inadimplência e atrasos no pagamento das mensalidades. A necessidade de equilibrar essas despesas com os investimentos previstos contribui para a definição do percentual de reajuste.
Entre os investimentos previstos pelas instituições estão reformas e melhorias nos espaços físicos. A contratação de plataformas voltadas à segurança digital também aparece entre os gastos que podem influenciar os novos valores cobrados das famílias.
Projetos pedagógicos voltados à cidadania estão igualmente entre as despesas consideradas. As escolas ainda precisam realizar adequações nas salas de aula e ampliar equipes pedagógicas para atender às exigências relacionadas à educação inclusiva.
O cenário pode representar um desafio adicional para os responsáveis, que terão de reorganizar o orçamento familiar antes da renovação das matrículas. A previsão de aumento torna importante conhecer antecipadamente o percentual que será aplicado pela instituição.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que a educação básica brasileira reúne aproximadamente 46 milhões de estudantes matriculados. Desse total, cerca de 9 milhões estudam em instituições privadas, o equivalente a quase 20% das matrículas dos ensinos fundamental e médio.
Com a perspectiva de reajustes, especialistas em finanças recomendam que as famílias antecipem o planejamento para o próximo ano letivo. A orientação é verificar quanto a nova mensalidade representará na renda e identificar possíveis despesas que possam ser reduzidas.
O cálculo deve incluir não apenas o valor da mensalidade, mas também custos extras que costumam aumentar no início do ano. Material escolar, uniforme, transporte, alimentação e atividades fora do currículo precisam entrar na conta.
Uma das estratégias recomendadas é comparar os valores cobrados por diferentes instituições antes de definir a renovação ou uma eventual mudança de escola. A análise antecipada pode ajudar as famílias a encontrar alternativas compatíveis com a renda disponível.
Para quem já possui contrato com uma escola particular, conhecer o percentual de reajuste antes da rematrícula permite calcular o impacto da nova mensalidade e avaliar a necessidade de mudanças no orçamento.
A negociação antecipada também pode ser considerada pelas famílias. Com os novos valores previstos para 2027, organizar as despesas com antecedência pode ajudar a evitar que o reajuste das mensalidades comprometa de forma significativa o orçamento doméstico.
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