Cidades

Mensalidades de escolas particulares podem subir até 11% em 2027

EBC
Levantamento aponta que 98% das escolas particulares planejam aumentar as mensalidades, impactando o orçamento das famílias  |   BNews RN - Divulgação EBC
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 24/08/2026, às 09h05



As mensalidades das escolas particulares brasileiras podem ficar até 11% mais caras no próximo ano letivo, segundo levantamento da consultoria de gestão educacional Meira Fernandes. A pesquisa, realizada com 300 instituições de ensino de oito estados, aponta que 98% das escolas consultadas planejam aumentar os valores, com oito em cada dez projetando reajustes entre 7% e 11%.

A alta deve afetar diretamente o orçamento de famílias que mantêm filhos na rede privada, principalmente durante o período de rematrículas. Além da mensalidade, os responsáveis precisam considerar outros gastos associados ao início do ano letivo, como material escolar, uniformes, transporte e atividades extracurriculares.

De acordo com o levantamento, o aumento dos custos operacionais é um dos principais motivos apontados pelas instituições para justificar os reajustes. Despesas com infraestrutura, segurança digital, projetos pedagógicos e adequações para atender às normas de educação inclusiva estão entre os fatores considerados.

Folha de pagamento pesa nas contas das escolas

Os gastos com profissionais também têm influência significativa na definição dos novos valores. Salários de professores e funcionários administrativos estão entre as despesas incorporadas pelas instituições no cálculo das mensalidades para o próximo ano.

Em São Paulo, por exemplo, o reajuste salarial dos professores foi estabelecido em 6,95% em março. O percentual passou a ser utilizado como referência por parte das instituições para projetar os custos educacionais.

As escolas também consideram outros fatores na composição dos preços, como índices de inadimplência e atrasos no pagamento das mensalidades. A necessidade de equilibrar essas despesas com os investimentos previstos contribui para a definição do percentual de reajuste.

Infraestrutura e inclusão também entram na conta

Entre os investimentos previstos pelas instituições estão reformas e melhorias nos espaços físicos. A contratação de plataformas voltadas à segurança digital também aparece entre os gastos que podem influenciar os novos valores cobrados das famílias.

Projetos pedagógicos voltados à cidadania estão igualmente entre as despesas consideradas. As escolas ainda precisam realizar adequações nas salas de aula e ampliar equipes pedagógicas para atender às exigências relacionadas à educação inclusiva.

O cenário pode representar um desafio adicional para os responsáveis, que terão de reorganizar o orçamento familiar antes da renovação das matrículas. A previsão de aumento torna importante conhecer antecipadamente o percentual que será aplicado pela instituição.

Rede privada reúne milhões de estudantes

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que a educação básica brasileira reúne aproximadamente 46 milhões de estudantes matriculados. Desse total, cerca de 9 milhões estudam em instituições privadas, o equivalente a quase 20% das matrículas dos ensinos fundamental e médio.

Com a perspectiva de reajustes, especialistas em finanças recomendam que as famílias antecipem o planejamento para o próximo ano letivo. A orientação é verificar quanto a nova mensalidade representará na renda e identificar possíveis despesas que possam ser reduzidas.

O cálculo deve incluir não apenas o valor da mensalidade, mas também custos extras que costumam aumentar no início do ano. Material escolar, uniforme, transporte, alimentação e atividades fora do currículo precisam entrar na conta.

Planejamento pode aliviar impacto no orçamento

Uma das estratégias recomendadas é comparar os valores cobrados por diferentes instituições antes de definir a renovação ou uma eventual mudança de escola. A análise antecipada pode ajudar as famílias a encontrar alternativas compatíveis com a renda disponível.

Para quem já possui contrato com uma escola particular, conhecer o percentual de reajuste antes da rematrícula permite calcular o impacto da nova mensalidade e avaliar a necessidade de mudanças no orçamento.

A negociação antecipada também pode ser considerada pelas famílias. Com os novos valores previstos para 2027, organizar as despesas com antecedência pode ajudar a evitar que o reajuste das mensalidades comprometa de forma significativa o orçamento doméstico.

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