Cidades
O número de mulheres que com filhos após os 30 e 40 anos cresceu significativamente na última década, mas paralelo a isso, a infertilidade já atinge 1 a cada 6 mulheres no mundo (cerca de 17,5% da população adulta).
Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) e chamam a atenção para o impacto no estilo de vida moderno e estresse crônico na fertilidade da mulher.
De um lado, o mercado exige alta performance, metas agressivas e controle absoluto de suas rotinas, por outro, o sonho com a maternidade é adiado.
Esse choque de realidades impulsiona um fenômeno clínico silencioso nos consultórios de psicologia, batizado por especialistas como a "Síndrome do Útero Vazio."
Em entrevista, a psicóloga Vanessa Scheer, contou que é cada vez mais frequente o esgotamento extremo de mulheres que tentam gerenciar a fertilidade como gerenciam suas carreiras.
Para a psicóloga, a dificuldade para engravidar em mulheres saudáveis vai muito além de fatores biológicos isolados.
A mulher moderna foi ensinada a operar na energia do controle e da ação constante. Quando ela decide engravidar e o resultado não vem de imediato, a tendência é aplicar a mesma lógica corporativa: intensifica a cobrança, busca culpados e vive em um estado de alerta constante. Esse estresse crônico eleva o cortisol, que por sua vez bloqueia os hormônios da concepção. O corpo entende que aquele ambiente mental e espiritual não é seguro para gerar uma nova vida", ressaltou a especialista.
Essa conexão apontada pela psicóloga encontra um forte respaldo na ciência global.
Segundo um estudo publicado pela renomada revista científica Human Reproduction, mulheres com altos níveis de alfa-amilase salivar (um biomarcador biológico para o estresse) apresentam uma redução de até 29% na probabilidade de engravidar a cada mês, além de enfrentarem um risco duas vezes maior de serem diagnosticadas com infertilidade clínica.
Impacto emocional
Além disso, pesquisas na área de psicologia perinatal mostram que o impacto emocional de receber um diagnóstico de infertilidade se compara ao de pacientes que enfrentam doenças graves, como o câncer ou problemas cardíacos.
A especialista Vanessa Scheer viveu na própria pele tudo isso. Mulher workaholic, por longos anos, ela esteve imersa em jornadas de trabalho, cobranças excessivas e desconectada de seus ritmos naturais.
Mas quando decidiu que era hora de ser mãe, enfrentou a dolorosa e solitária jornada de ser uma "tentante".
Foi justamente ao aplicar em si mesma a virada de chave mental, desacelerando a mente, acolhendo o corpo e resgatando a espiritualidade e a confiança nas leis universais da vida, que ela rompeu o bloqueio da infertilidade e alcançar a maternidade.
Atualmente, sua missão de vida é guiar outras mulheres pelo mesmo caminho de cura integrativa. Já são 25 anos de estudos e atendimento clínico geral que tem feito a diferença na vida de muitas mulheres que se tornaram mães.
A abordagem defendida pela psicóloga é de que que os tratamentos de reprodução assistida ou tentativas naturais sejam acompanhados por uma profunda reprogramação mental.
O que fazer?
Para abrir as portas da fertilidade, a mulher precisa trabalhar dois pilares: mente (identificar e limpar crenças limitantes de escassez, medo do futuro e a necessidade neurótica de controle, substituindo-as por uma mentalidade de merecimento e abundância) e corpo (entender as manifestações psicossomáticas).
O útero e o sistema endócrino reagem diretamente aos pensamentos. Por isso, acalmar a mente é o primeiro passo para regular o corpo físico).
Mudar o pensamento muda a direção de uma vida inteira. Para a tentante, isso significa parar de lutar contra o tempo e começar a sintonizar com a vida que ela deseja gerar", conluiu a especialista Vanessa Scheer.
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