Cidades

Mais de 100 médicos de grandes hospitais suspendem atendimentos no RN; veja unidades afetadas e serviços interrompidos

José Aldenir/Agora RN
Mais de 100 médicos paralisam atividades devido a atrasos de pagamento do Governo do Estado, afetando serviços essenciais  |   BNews RN - Divulgação José Aldenir/Agora RN

Publicado em 27/04/2026, às 09h14   Malu Machado



Cerca de 120 médicos que atuam na média e alta complexidade em Natal iniciam, nesta segunda-feira (27), uma paralisação por tempo indeterminado.

O movimento atinge serviços essenciais em unidades como o Hospital do Coração, Liga Contra o Câncer, INCOR e Hospital Varela Santiago, afetando principalmente o fluxo de pacientes vindos do interior do Rio Grande do Norte.

Repasses em atraso

A motivação do grupo é a ausência de pagamento por parte do Governo do Estado, que não realiza os repasses devidos desde setembro de 2025. 

Os profissionais, que atuam como prestadores de serviço por produtividade (sem vínculo empregatício), explicam que a parcela paga pela Prefeitura de Natal está em dia, mas a inadimplência estadual tornou a continuidade do trabalho insustentável.

O Conselho Regional de Medicina (Cremern) alertou para o risco de agravamento de doenças e o aumento das filas de espera devido ao cancelamento de cirurgias eletivas. 

Não somos sindicato, somos um grupo que se uniu para tentar resolver essa questão da alta complexidade", esclarece o médico Daniel Brandão, um dos representantes do movimento.

Posicionamento das instituições

As entidades que acompanham o caso ou que são diretamente afetadas pela falta de repasses do Estado se manifestaram sobre a paralisação:

  • Liga Contra o Câncer: a instituição filantrópica manifestou profunda preocupação com a continuidade do tratamento oncológico. Em nota, afirmou se solidarizar com os médicos pelos atrasos registrados desde setembro, mas reforçou a necessidade de um "diálogo urgente e resolutivo" entre os profissionais e o Governo para evitar prejuízos aos pacientes.
A instituição se solidariza com os profissionais em razão do atraso nos repasses do Governo do Estado, registrados desde setembro de 2025, mas reforça a necessidade de urgente e resolutivo diálogo entre as partes envolvidas”, destaca.
  • Sinmed-RN: o Sindicato dos Médicos informou que, embora acompanhe a situação, não foi acionado formalmente pela categoria ou pelas unidades para encampar o movimento. O sindicato ressaltou que não participou das negociações prévias deste grupo específico de prestadores de serviço.
  • Hospital Varela Santiago: a unidade informou que não recebeu comunicado oficial sobre a paralisação até o momento e, por isso, não comentará o tema.
  • Cremern: a presidente Giana da Escóssia Melo destacou que o cancelamento de cirurgias eletivas em pacientes de alta complexidade amplia as filas que já contam com milhares de potiguares aguardando atendimento.

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