Cidades
Publicado em 27/01/2026, às 12h04 Malu Machado
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) voltou a ser utilizado como certificado de conclusão da educação básica, beneficiando estudantes com mais de 18 anos que atingirem as notas mínimas exigidas, mas a mudança gera impasses para matrículas universitárias.
O retorno da certificação pelo Enem, que havia sido transferida para o Encceja em 2017, busca facilitar o processo para os alunos, permitindo que concluam o ensino médio e se inscrevam no ensino superior com uma única prova.
O Inep está desenvolvendo um aplicativo para a emissão digital dos certificados, que será lançado em março, e orientará as universidades a aceitarem a pendência do documento até que o sistema esteja em funcionamento.
Após nove anos, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) voltou a servir como certificado de conclusão da educação básica, conforme decisão do Ministério da Educação (MEC) de maio de 2025.
A medida beneficia estudantes com mais de 18 anos que atingiram pelo menos 450 pontos em cada área do conhecimento e 500 na redação.
Entre 2009 e 2016, o Enem foi o principal caminho para jovens e adultos obterem o diploma escolar. Em 2017, essa função foi transferida exclusivamente para o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos).
O retorno da funcionalidade ao Enem, decidido pelo MEC em maio de 2025, visa otimizar o tempo do estudante: agora, com uma única prova, ele pode simultaneamente concluir o nível médio e garantir uma vaga no ensino superior.
No entanto, a implementação do novo sistema tem gerado um impasse às vésperas das matrículas universitárias.
O impasse atual é cronológico. Enquanto o resultado do Enem e as convocações do Sisu ocorrem em fevereiro, o sistema digital de emissão de certificados só estará funcionando em 2 de março.
Estudantes aprovados no Sisu e em outros vestibulares reclamam da impossibilidade de emitir o documento a tempo. Sem o certificado, as universidades não podem efetivar as matrículas, que ocorrem em fevereiro.
Relatos colhidos pela reportagem indicam que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) não responde às solicitações e que Institutos Federais (IFs) e Secretarias de Educação ainda não possuem orientações sobre como gerar o diploma.
O estudante Diogo Augusto, de 21 anos, aprovado em psicologia, resume o sentimento comum:
"Não consigo me matricular sem o certificado e ninguém sabe dar informações. Provavelmente perderei minha vaga".
No RN, alunos aprovados na UFRN enfrentam o mesmo silêncio e falhas nos links de solicitação do IFRN.
Em entrevista exclusiva ao g1, o presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou que o órgão está desenvolvendo um aplicativo para tornar o processo totalmente digital.
Como o app só deve ser lançado no final de fevereiro, a Secretaria de Educação Superior enviará um comunicado formal às instituições de ensino para que aceitem a "pendência" do documento.
De acordo com Palacios, o sistema digital foi a única saída para viabilizar a certificação a tempo do Sisu 2026. "As universidades serão avisadas que os certificados só serão emitidos a partir de 2 de março", garantiu.
Veja o passo a passo de como funcionará a solicitação pelo app:
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