Cidades
Publicado em 16/02/2026, às 09h30 Malu Machado
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) iniciou o cultivo controlado de Cannabis para pesquisa científica, marcando um avanço significativo na investigação acadêmica sobre suas aplicações terapêuticas no Brasil.
A autorização da Anvisa para a UFRN é a primeira concedida a uma universidade pública no país, permitindo o cultivo e processamento da planta em ambiente controlado, seguindo rigorosas normas de segurança.
As mudas já estão em desenvolvimento no Instituto do Cérebro, com estudos focados em patologias como epilepsia e autismo, visando gerar dados que possam fundamentar futuros protocolos de saúde.
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) iniciou formalmente as atividades de cultivo controlado da planta Cannabis voltado para fins de pesquisa científica.
O marco representa um momento significativo para a investigação acadêmica no Brasil, tendo como objetivo central a geração de dados científicos robustos sobre os diversos compostos presentes na planta e suas potenciais aplicações terapêuticas em múltiplas áreas da saúde humana.
A iniciativa é desenvolvida no Instituto do Cérebro (ICe-UFRN), unidade de excelência responsável por conduzir projetos que avaliam a eficácia e a segurança de combinações de fitocanabinoides (substâncias extraídas da planta). O reitor José Daniel Diniz Melo, em visita institucional ao laboratório, destacou que o início das atividades concretiza um cronograma de pesquisa planejado desde que a instituição obteve a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A liberação concedida pela Anvisa à UFRN é considerada inédita no cenário nacional: é a primeira vez que uma universidade pública no Brasil recebe permissão oficial para cultivar, importar, armazenar e processar a Cannabis em ambiente controlado para fins científicos. O protocolo aprovado exige que o cultivo ocorra em ambiente indoor (fechado), seguindo rigorosas normas técnicas e de segurança definidas pela agência reguladora.
De acordo com registros da universidade, o esforço para a obtenção da licença teve início ainda em 2020. O processo envolveu uma série de etapas burocráticas e técnicas, incluindo a apresentação de documentação detalhada, inspeções presenciais e a comprovação de que a infraestrutura laboratorial da UFRN era adequada para o manejo seguro das plantas.
Atualmente, no laboratório do Instituto do Cérebro, as mudas já se encontram em desenvolvimento, passando por etapas que compreendem desde o plantio até a futura extração dos compostos. O professor Claudio Queiroz, um dos pesquisadores à frente do projeto, detalhou que os estudos científicos vão focar em patologias e condições como:
As investigações buscam entender a atuação dos fitocanabinoides em modelos pré-clínicos, servindo de base para futuros protocolos de saúde.
A visita que marcou o início das atividades contou com a presença da pró-reitora de Pesquisa, Silvana Zucolotto, do diretor da Agência de Inovação, Jefferson Oliveira, e da chefe de Gabinete, Magda Pinheiro, reforçando o compromisso institucional da UFRN com o cumprimento das regras sanitárias e o avanço da ciência brasileira.
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