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Falta de dinheiro prejudica mais o coração do que idade e doenças, revela pesquisa

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Pesquisadores identificam que estresse social, como falta de dinheiro, pode elevar o risco de morte em até 60%, superando fatores médicos tradicionais  |   BNews RN - Divulgação Reprodução internet
Redação

por Redação

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Publicado em 02/04/2026, às 10h29



A pressão financeira e a insegurança alimentar podem impactar o coração de forma mais severa do que fatores clássicos como idade, obesidade e hipertensão.

É o que revela um novo estudo conduzido por pesquisadores da Mayo Clinic, publicado na revista científica Mayo Clinic Proceedings.

A pesquisa aponta que condições sociais adversas estão diretamente associadas ao envelhecimento biológico acelerado do coração e ao aumento do risco de morte.

Fatores sociais ganham protagonismo na saúde cardiovascular

O estudo se baseia no conceito de determinantes sociais da saúde (DSS), que considera fatores como renda, acesso à alimentação, condições de moradia e estabilidade econômica como elementos centrais para o bem-estar.

Segundo os pesquisadores, esses fatores influenciam diretamente o funcionamento do organismo, especialmente o sistema cardiovascular.

Risco de morte pode ser até 60% maior

Um dos dados mais relevantes da pesquisa é o impacto direto das dificuldades financeiras na mortalidade.

Impacto dos fatores analisados:
- Dificuldade financeira: +60% de risco de morte
- Tabagismo: +27%
- Histórico de infarto: +10%

O levantamento acompanhou os participantes ao longo de dois anos e identificou que pessoas sob pressão econômica apresentaram um risco significativamente maior de morte — superando até mesmo fatores médicos tradicionais.

Coração “envelhece” mais rápido sob estresse social

Além do aumento da mortalidade, os pesquisadores observaram sinais de envelhecimento biológico acelerado do coração em indivíduos expostos a condições socioeconômicas adversas.

Esse processo está associado a mecanismos como:

Efeitos do estresse social no organismo:
- Aumento do estresse crônico
- Alterações hormonais (como cortisol elevado)
- Inflamação sistêmica
- Maior sobrecarga cardiovascular

Esses fatores contribuem para o desgaste precoce do sistema cardíaco, mesmo em pessoas sem diagnóstico prévio de doenças.

Estudo reforça necessidade de olhar além dos fatores clínicos

Os resultados reforçam a importância de ampliar a abordagem da saúde cardiovascular, incorporando fatores sociais e econômicos nas estratégias de prevenção.

Tradicionalmente, políticas de saúde focam em aspectos como controle da pressão arterial, alimentação e prática de exercícios. No entanto, o estudo indica que combater desigualdades sociais pode ser igualmente — ou até mais — relevante para reduzir riscos à saúde.

Um alerta para políticas públicas e prevenção

A pesquisa da Mayo Clinic aponta para um desafio que vai além da medicina: a necessidade de integrar políticas sociais às estratégias de saúde pública.

Ao evidenciar que fatores como insegurança alimentar e instabilidade financeira têm impacto direto na mortalidade, o estudo sugere que ações voltadas à redução da desigualdade podem desempenhar papel decisivo na prevenção de doenças cardiovasculares.

Na prática, isso significa que garantir acesso a condições básicas de vida pode ser tão importante quanto tratar fatores clínicos já conhecidos — e pode fazer a diferença entre um envelhecimento saudável e o aumento do risco de morte.

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