Cidades
por Lavínia Manso
Publicado em 07/08/2026, às 08h29
As exportações do Rio Grande do Norte somaram US$ 62,9 milhões em julho de 2026, o menor resultado registrado nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Apesar da queda nas vendas ao exterior, o estado fechou o mês com saldo positivo de US$ 16,7 milhões na balança comercial, impulsionado principalmente pelas exportações de petróleo bruto e ouro.
No mesmo período, o estado importou US$ 46,3 milhões em mercadorias. A corrente de comércio, que reúne exportações e importações, recuou 13,2% em relação a julho de 2025. Enquanto as vendas externas caíram 28,9% na comparação anual, as importações avançaram 24,3%.
O desempenho potiguar destoou do cenário nacional. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil registrou crescimento de 6,2% nas exportações em julho, alcançando US$ 34,1 bilhões e encerrando o mês com superávit comercial de US$ 7,1 bilhões.
Para Pedro Albuquerque, assessor técnico do Observatório da Indústria Mais RN, embora o Rio Grande do Norte tenha mantido saldo positivo, o resultado indica um cenário mais desafiador para os próximos meses.
O superávit é consideravelmente mais estreito que o do mesmo mês de 2025, o que aponta para uma tendência mais desafiadora para o segundo semestre."
Segundo o especialista, a retração está ligada ao desempenho de produtos que têm grande participação na pauta exportadora do estado, especialmente os óleos combustíveis, que vêm registrando sucessivas reduções na produção, além dos minerais preciosos, como o ouro, cuja participação cresceu recentemente.
Pedro Albuquerque também destacou que produtos tradicionais da economia potiguar, como sal, pescado e doces, enfrentam dificuldades provocadas pelas sobretaxas de 37,5% impostas a alguns produtos brasileiros no mercado norte-americano, além do ambiente de insegurança jurídica para os exportadores.
O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (Corecon-RN), avalia que o desempenho de julho contrasta com os resultados registrados no primeiro semestre, quando o estado alcançou quase US$ 640 milhões em exportações, o melhor desempenho desde 2016.
Fechamos o semestre com animadora dinâmica, alcançando quase US$ 640 milhões, o melhor desempenho do quadro das nossas exportações dos últimos dez anos, desde 2016. Em contrapartida, no início do segundo semestre perdemos parte da força, mas nada que seja tão excepcional."
Em julho, o ouro não monetário respondeu por 45,1% das exportações do Rio Grande do Norte, movimentando US$ 28,4 milhões. Na sequência apareceram os óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos, com 28,3%, frutas e nozes não oleaginosas, com 5,7%, e outros minérios e concentrados de metais de base, com 4,4%.
Os principais destinos das exportações potiguares foram Canadá, com 35,9% do total, Porto Rico, com 20,7%, Suíça, com 9,3%, Estados Unidos, com 7,4%, e Holanda, com 5,7%.
Nas importações, os maiores fornecedores do estado foram Reino Unido, Argentina, China, Estados Unidos e Colômbia. Entre os produtos mais adquiridos destacam-se óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos, trigo e centeio não moídos, além de carvão mineral.
Ricardo Valério acredita que o desempenho deve melhorar nos próximos meses. Segundo ele, a continuidade das exportações de petróleo e ouro, o primeiro embarque de gado vivo do Nordeste pelo Porto de Natal e a retomada das exportações de frutas e pescado para os Estados Unidos podem fortalecer novamente a balança comercial do estado.
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