Cidades
Uma ação que vem sendo realizada no semiárido nordestino há quase 30 anos -- atualmente coordenada pelo Exército Brasileiro -- mais uma vez está ajudando a amenizar o sofrimento da população em mais de 80 municípios do Rio Grande do Norte. Trata-se da Operação Carro-Pipa, que distribui, de graça, água potável para consumo humano. O sertanejo agradece.
Hoje, segundo o Exército, pelo menos 76 municípios potiguares são atendidos pela Operação Carro-Pipa, com 230 pipeiros contratados. Em breve, porém, o total de cidades atendidas pelos militares deve chegar a 81, devendo subir ainda mais.
Caiçara do Rio do Vento, Carnaubais, Parelhas, São Fernando e Martins estão em processo de inclusão no programa, que é feito pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, em Brasília.
A Operação Carro-Pipa teve início em 1998, inicialmente sob a supervisão da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). Hoje, é coordenada pelo Exército Brasileiro em conjunto com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Para que a Operação Carro-Pipa seja implementada, é necessário que o município esteja localizado no semiárido brasileiro e com a situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo Governo Federal.
Após o reconhecimento, o município deverá solicitar a inclusão na OCP por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), anexando um ofício de solicitação e os documentos exigidos pelo artigo 9º da Portaria Interministerial nº 1, de 25 de julho de 2012.
O órgão de proteção e defesa civil municipal é o responsável por fazer a inclusão. No caso de inexistência do órgão no município, a prefeitura poderá realizar o pedido.
Não há um prazo específico para a conclusão do processo de inclusão, mas, geralmente, após a solicitação, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) analisa a documentação em até dois dias úteis. Se o pedido for deferido, a solicitação é enviada ao Exército Brasileiro, que poderá levar de 45 a 90 dias para incluir o local na logística da operação. Este prazo é necessário para realizar vistorias em campo, planejar rotas, contratar pipeiros, instalar dispositivos de monitoramento antifraude, entre outras atividades essenciais para garantir um abastecimento de água seguro e eficiente.
Caso o município continue enfrentando períodos de seca ou estiagem após o término do reconhecimento federal, é necessário solicitar novo pedido de reconhecimento para manter a inclusão na OCP.
Uma vez publicado o novo reconhecimento e, se o município estiver sendo atendido, a SEDEC automaticamente solicitará ao Exército Brasileiro uma nova vistoria para avaliar a necessidade de continuidade da operação.
A situação da falta de chuvas no Rio Grande do Norte é grave. É tanto que o estado fechou o mês de setembro com 140 dos seus 167 municípios afetados por algum nível de estiagem, ou seja, 84% do território potiguar está sofrendo de alguma forma com a seca. Os dados mais recentes foram divulgados pelo Monitor de Secas, informativo mensal da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (EMPARN).
Segundo a classificação do Monitor de Secas, a categoria mais frequente foi Seca Grave, com 37,13% dos municípios. A Seca Fraca e a Seca Moderada figuraram em patamares semelhantes com 23,95% e 22,75%, respectivamente. Não houve registros de Seca Extrema ou Excepcional no período.
Apenas 16,17% dos municípios ficaram classificados como Sem Seca Relativa, indicando um cenário de atenção, com predomínio da seca de intensidade grave nas regiões do Alto Oeste e do Seridó.
Por causa da forte redução das chuvas neste ano, o Governo do Rio Grande do Norte decretou situação de seca em 147 municípios do estado. O número representa 88% do total. O Decreto nº 34.946, assinado pela governadora Fátima Bezerra, foi publicado no início de outubro de 2025 no Diário Oficial do Estado.
O Governo do Rio Grande do Norte aponta na conclusão de obras de segurança hídrica para reverter os prejuízos causados pela seca no Estado. De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), “inúmeras estruturas de abastecimento estão em andamento” para garantir que a população tenha mais acesso à água para abastecimento e produção.
No início de novembro do ano passado, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e a governadora Fátima Bezerra, assinaram em Natal a ordem de serviço que autoriza o início das obras da Adutora do Agreste Potiguar. Com extensão de 171 km e vazão de 890 litros por segundo, o empreendimento irá beneficiar mais de 500 mil pessoas em 38 municípios do semiárido potiguar. O investimento é de R$ 448,5 milhões, dentro da carteira do Novo PAC.
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