Cidades

"Entrou sorrindo, saiu morta": família protesta, fecha avenida e cobra punição por morte de jovem na UPA do Potengi

Magnus Nascimento/Tribuna do Norte
Familiares e amigos de Gabriely Barbosa protestam na UPA do Potengi, exigindo apuração rápida e transparente da morte da jovem indígena  |   BNews RN - Divulgação Magnus Nascimento/Tribuna do Norte

Publicado em 16/01/2026, às 08h06   Malu Machado



Familiares e amigos de Gabriely Barbosa de Melo, jovem indígena que faleceu após erro médico na UPA do Potengi, protestaram na Zona Norte de Natal, exigindo justiça e esclarecimentos sobre sua morte, que ocorreu após 19 dias de internação.

O Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Norte revelou irregularidades na dispensação de medicamentos na UPA, indicando falhas operacionais que podem ter contribuído para a tragédia, embora não tenha apontado responsabilidades individuais.

A Secretaria Municipal de Saúde afastou dois servidores envolvidos e iniciou uma sindicância para investigar o caso, enquanto a família continua sem respostas concretas sobre o ocorrido, gerando um clamor por justiça e transparência na apuração.

Resumo gerado por IA

A manhã desta quinta-feira (15) foi marcada por pedidos de justiça na Zona Norte de Natal. Familiares e amigos da jovem Gabriely Barbosa de Melo, de 19 anos, ocuparam a frente da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Potengi, interditando a Avenida Sr. do Bonfim. 

O grupo exige celeridade e transparência na apuração da morte da jovem indígena, ocorrida no dia 5 de janeiro, após 19 dias de internação decorrentes de um erro na administração de medicamentos na unidade.

Sob a vigilância da Guarda Municipal, os manifestantes exibiam cartazes com frases como “O sistema falhou com Gabriely” e “Não nos calaremos”. O ato reflete a indignação de uma família que afirma estar vivendo no escuro, sem respostas concretas das autoridades de saúde sobre o que realmente aconteceu dentro dos corredores da UPA.

O drama da família

Para a mãe de Gabriely, Aline Nascimento, o protesto é um ato de resistência contra o esquecimento.

Eu não quero que a morte da minha filha seja apenas mais uma estatística. É um grito por justiça e esclarecimentos, pois até agora enfrentamos um vazio de informações. Não tivemos nenhum retorno ou explicação... Quando ela entrou aí, ela estava andando, sorrindo, falando. Tá muito difícil pra gente." 


A avó da jovem, Maria Soares de Melo, de 67 anos, relatou o impacto devastador da perda na rotina da família. Segundo ela, os pais de Gabriely não conseguem sequer entrar na casa onde moravam com a filha.

Amigos da família também reforçaram o coro por justiça, destacando o recorte social do caso. Iyaluciene de Oya criticou a falta de humanidade no tratamento pós-óbito.

O que aconteceu foi uma negligência fatal. Estamos aqui para dizer que a vida de uma jovem negra e indígena importa. É uma vergonha que, até hoje, a família esteja desassistida, sem nenhuma palavra de conforto por parte dos profissionais”, desabafou.
Foto: Magnus Nascimento/Tribuna do Norte
Foto: Magnus Nascimento/Tribuna do Norte


Irregularidades apontadas pelo CRF

O caso se torna ainda mais grave com a divulgação de uma nota oficial do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Norte (CRF/RN) nesta quinta-feira. 

O órgão revelou resultados preliminares de uma fiscalização realizada na UPA do Potengi em 19 de dezembro de 2025 — data em que a jovem já estava internada.

Segundo o CRF, foram constatadas:

  • Irregularidades na dispensação: falhas operacionais e assistenciais no serviço de farmácia;
  • Indícios de não conformidade: problemas relacionados às condições de funcionamento do setor.

Embora o relatório não aponte conclusões definitivas sobre responsabilidades individuais, o Conselho afirmou que o documento servirá de base para uma apuração aprofundada, reforçando o compromisso com a segurança do paciente.

O que diz a Secretaria de Saúde

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal, a causa oficial da morte de Gabriely foi choque decorrente de infecção severa (sepse), uma resposta inflamatória grave do organismo.

Em contrapartida às declarações da família, a pasta garante que tem oferecido "apoio integral" desde o primeiro dia do ocorrido.

Medidas adotadas até o momento:

  • Afastamento: dois servidores diretamente envolvidos no atendimento foram afastados cautelarmente de suas funções assistenciais.
  • Sindicância: um procedimento administrativo está em fase de instrução, com coleta de depoimentos e análise de relatórios técnicos.
  • Punições: a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) só ocorrerá após a conclusão da sindicância, caso as falhas sejam formalmente comprovadas.

A investigação também apura se houve quebra nos protocolos de segurança do paciente dentro da unidade. Atualmente, O processo está na fase de instrução, que envolve a coleta de depoimentos e análise técnica. 

Classificação Indicativa: Livre

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