Cidades
Um novo alerta para dengue está em vigor no Brasil, que poder salvar vidas se pacientes e equipes medicas agirem rápido e com prevenção. Isso porque um estudo inédito da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), que entrou para a literatura cientifica do país, apontou que pessoas infectadas pelo vírus da dengue têm um risco 17 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) nas seis semanas seguintes à infecção.
Segundo o Ministério da Saúde, a síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma condição neurológica rara em que afeta o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, levando à inflamação e comprometendo a condução dos impulsos nervosos.
Esse quadro resulta em fraqueza muscular, que pode progredir rapidamente e afetar a capacidade de movimentar os membros e, em casos severos, os músculos respiratórios.
Durante as duas primeiras semanas após o início dos sintomas da dengue, esse risco chega a ser 30 vezes maior.
Em números absolutos, a pesquisa da Fiocruz revelou que para cada 1 milhão de casos de dengue, 36 pessoas podem desenvolver SGB: um número pequeno, mas relevante diante das epidemias recorrentes no país. A SGB é uma complicação neurológica rara e potencialmente grave.
Desde a ano de 1998, a literatura científica contava com relatos isolados de pacientes que desenvolveram SGB após uma infecção por dengue, mas nenhum estudo havia conseguido quantificar esse risco de forma significativa.
Pensando em preencher essa lacuna, os pesquisadores da Fiocruz Bahia, integrantes do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Saúde Digital (INCT DigiSaúde), analisaram três grandes bases de dados do Sistema Único de Saúde (SUS): internações hospitalares, notificações de casos de dengue e registros de óbitos.
Na análise, foram identificadas mais de 5 mil hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024. Dessas, 89 ocorreram logo após o paciente apresentar dengue.
Segundo os pesquisadores, é urgente que gestores de saúde pública incorporem a SGB como complicação pós-dengue nos protocolos de vigilância.
Durante surtos de dengue, os sistemas de saúde devem ser preparados para identificar precocemente casos de fraqueza muscular ascendente e dispor de leitos de UTI e suporte ventilatório. Estratégias de vigilância ativa de SGB devem ser acionadas nas semanas seguintes ao pico de casos de dengue.
A novidade na medicina também pode auxiliar profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e neurologistas) na suspeição de SGB diante de um paciente com histórico recente de dengue (últimas seis semanas) que apresente fraqueza nas pernas ou formigamento ascendente.
Sendo assim, o diagnóstico precoce é fundamental, pois o tratamento (imunoglobulina ou plasmaférese) é mais eficaz quando iniciado rapidamente.
Também é importante incentivar a notificação dos casos de SGB pós-dengue ou informar a vigilância epidemiológica municipal/estadual sobre a ocorrência de doença neuro-invasiva por arbovírus.
Tratamento
Não existe, atualmente, tratamento antiviral específico para a dengue e o manejo é baseado em hidratação e suporte clínico. Os pesquisadores destacam que a prevenção, especialmente o combate ao mosquito Aedes aegypti e a vacinação, continuam sendo a ferramenta mais poderosa.
A vacinação contra a dengue pode reduzir drasticamente o número de casos e, consequentemente, o número absoluto de complicações graves como a SGB.
Enquanto não tivermos um tratamento antiviral eficaz contra a dengue, a prevenção continua sendo a melhor estratégia. Nosso estudo reforça que evitar a infecção evita também complicações como esse tipo de paralisia potencialmente grave”, afirmam os autores.
Dengue e síndrome de Guillain-Barré
O Brasil vive epidemias frequentes de dengue. Em 2024, por exemplo, o país ultrapassou 6 milhões de casos prováveis. O número absoluto de pessoas que podem desenvolver SGB após dengue é significativo e exige preparo do sistema de saúde.
Já a relação entre arboviroses (doenças transmitidas por mosquitos) e complicações neurológicas já havia sido demonstrada de forma marcante durante a epidemia de Zika em 2015/2016, quando o vírus foi associado à microcefalia em bebês e também a um aumento expressivo de casos de SGB em adultos.
A dengue pertence à mesma família do Zika (Flaviviridae), o que torna a descoberta biologicamente consistente.
Já a SGB é uma condição neurológica rara em que o próprio sistema imunológico ataca os nervos periféricos (as células que conectam o cérebro e a medula espinhal ao resto do corpo).
Nessas condiçoes, o paciente pode ficar completamente paralisado e precisar de ajuda de aparelhos para respirar. A maioria das pessoas se recupera, mas esse processo pode levar meses ou até anos, e alguns pacientes ficam com sequelas permanentes.
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