Cidades

Conheça a história por trás do maior cajueiro do mundo, patrimônio do RN

João Vital
Saiba como o Cajueiro de Pirangi se tornou um ponto turístico e símbolo do Rio Grande do Norte, atraindo visitantes de todo o Brasil  |   BNews RN - Divulgação João Vital
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 19/09/2026, às 10h00



Quem passa pela Praia de Pirangi do Norte, pode ter a impressão de estar diante de uma pequena floresta. Galhos retorcidos ocupam uma extensa área, se espalham pelo terreno e formam dezenas de estruturas que parecem ser troncos de diferentes árvores. Na verdade, tudo faz parte de um único organismo, o famoso Cajueiro de Pirangi, reconhecido pelo Guinness World Records como o maior cajueiro do mundo.

A árvore ocupa aproximadamente 8.500 metros quadrados, área equivalente a cerca de 70 cajueiros de tamanho convencional. Seus galhos chegam a se espalhar por cerca de 50 metros a partir do tronco central, criando uma paisagem que se tornou um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Norte.

A história tradicional conta que o cajueiro teria sido plantado em 1888 por um pescador chamado Luís Inácio de Oliveira. A informação é reproduzida pela Prefeitura de Parnamirim e pelo Guinness, mas aparece nas fontes como uma tradição ou relato local, e não como uma data comprovada por documentação histórica.

Como um único cajueiro ficou tão grande?

O tamanho impressionante do Cajueiro de Pirangi está relacionado à forma como seus galhos crescem. Em vez de se desenvolverem apenas para cima, parte deles se espalha lateralmente e, com o peso, pode se curvar até alcançar o solo.

Quando os galhos encostam na terra, eles podem desenvolver raízes. O fenômeno é conhecido na botânica como mergulhia, um processo natural de propagação vegetativa. A Embrapa explica que esse processo ocorre em cajueiros antigos e também está presente no exemplar de Pirangi.

Depois que criam raízes, esses galhos continuam crescendo e passam a apresentar estruturas semelhantes a novos troncos. Isso faz com que o visitante tenha a sensação de estar caminhando entre várias árvores, quando, na realidade, as diferentes partes pertencem ao mesmo cajueiro original.

Idema-RN
Idema-RN

O Guinness relaciona o crescimento extraordinário do exemplar de Pirangi a uma característica genética que permite que quatro dos cinco grandes galhos desenvolvam novas raízes ao tocar o solo. Essas estruturas acabam funcionando como troncos secundários e permanecem geneticamente ligadas à planta original.

Uma árvore que continua crescendo

O fenômeno não significa que o cajueiro simplesmente parou de crescer depois de atingir o tamanho que o tornou famoso. Pelo contrário, a expansão dos galhos já provocou discussões sobre a relação entre a árvore e o espaço urbano ao seu redor.

O crescimento do cajueiro chegou a ser tema de audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Em 2010, o órgão registrou que os galhos já ocupavam áreas próximas à rodovia que dá acesso às praias do litoral sul.

A expansão também está relacionada à necessidade de manutenção e manejo da árvore. Como parte dos galhos se enraíza quando chega ao solo, controlar seu avanço exige cuidados específicos para preservar o cajueiro sem deixar que ele avance sobre áreas destinadas à circulação de veículos e pessoas.

A dimensão alcançada pelo exemplar é tão grande que, para quem observa a árvore de diferentes pontos, pode ser difícil identificar onde termina um galho e começa outro. É justamente essa aparência de floresta que transformou o cajueiro em uma das atrações mais conhecidas do litoral potiguar.

Recorde mundial e produção de cajus

O tamanho não é a única característica que chama atenção. Durante o período de safra, o Cajueiro de Pirangi também produz uma grande quantidade de frutos. A Prefeitura de Parnamirim já registrou estimativas de aproximadamente 70 mil a 80 mil cajus, equivalentes a cerca de 2,5 toneladas de produção em uma safra.

O Guinness World Records registra o cajueiro de Pirangi como o maior do mundo, com uma área aproximada de 8.500 metros quadrados. O recorde foi registrado em 2015 na página atual da organização, enquanto registros jornalísticos mostram que o exemplar já era reconhecido pelo Guinness como o maior cajueiro do mundo na década de 1990.

A árvore pertence à espécie Anacardium occidentale, o cajueiro comum encontrado em diferentes regiões do Brasil. O que torna o exemplar potiguar extraordinário é a maneira como seus galhos se desenvolveram e se enraizaram ao longo do tempo. A Embrapa explica que o cajueiro possui raízes laterais que podem alcançar grandes extensões em relação à copa.

Esmeralda Praia Hotel
Esmeralda Praia Hotel

De árvore centenária a ponto turístico

Com o passar das décadas, o cajueiro deixou de ser apenas uma árvore de grandes proporções e passou a fazer parte da identidade turística do Rio Grande do Norte.

O local recebe visitantes interessados em conhecer a estrutura da árvore e observar de perto os diversos troncos formados pelo processo de enraizamento dos galhos. A área também abriga atividades comerciais ligadas ao turismo, como artesanato e gastronomia, reforçando a importância do atrativo para a economia da região.

A dimensão do cajueiro também contribuiu para que sua relação com a cidade se tornasse um desafio de preservação. Desde pelo menos 2010, órgãos públicos e moradores discutem maneiras de conciliar o crescimento da árvore com o trânsito e a ocupação urbana de Pirangi.

Mesmo com as dificuldades, o Gigante de Pirangi continuou crescendo e se tornou uma espécie de símbolo natural do estado. 

Cajueiro ganha proteção como patrimônio do RN

A importância histórica, ambiental e turística do local ganhou um novo reconhecimento em novembro de 2025, quando foi sancionada a Lei Estadual nº 12.503. A legislação reconheceu o Cajueiro de Pirangi como Patrimônio Natural, Paisagístico, Ambiental, Histórico e Turístico Material do Rio Grande do Norte.

No mês seguinte, o Governo do Estado criou o Monumento Natural Cajueiro de Pirangi (MONACAJU), uma unidade de conservação estadual destinada à proteção da área. O memorial descritivo publicado no Diário Oficial aponta uma área de 8.497,54 metros quadrados para a unidade.

Em abril de 2026, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) instituiu o Conselho Gestor do Monumento Natural, responsável, entre outras atribuições, por acompanhar a elaboração e implementação do plano de manejo da unidade de conservação.

Mais de um século depois da suposta plantação do primeiro cajueiro, o Gigante de Pirangi continua ocupando espaço no litoral potiguar e na memória de quem visita a região. O que começou, segundo a tradição local, com uma única árvore acabou formando uma paisagem que se parece com uma floresta e transformou o cajueiro em um dos principais símbolos naturais do Rio Grande do Norte.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Whatsapp floating

Receba as notificações pelo Whatsapp

Quero me cadastrar Close whatsapp floating