Cidades
A decisão do Governo Federal de eliminar a obrigatoriedade de cursos em autoescolas para a obtenção da CNH gerou uma crise no setor, com empresários do Rio Grande do Norte alertando para um colapso iminente e uma queda significativa na demanda por serviços.
Com apenas 30 das 120 autoescolas do estado em condições de sobreviver à nova regra, estima-se que cerca de 1.200 empregos diretos estão ameaçados, com 950 demissões previstas caso a situação não mude.
Além do impacto nas autoescolas, o efeito dominó pode afetar diversos serviços relacionados à formação de motoristas, enquanto a infraestrutura do Detran já enfrenta dificuldades, o que pode agravar a situação com o aumento da demanda por exames práticos.
A decisão do Governo Federal de acabar com a obrigatoriedade dos cursos de formação em autoescolas para obtenção da CNH desencadeou uma reação imediata no mercado de instrução veicular.
No Rio Grande do Norte, empresários apontam que a medida aprovada pelo Contran pode representar o maior colapso já enfrentado pelo segmento.
Desde julho, quando a mudança passou a ser discutida, o setor contabiliza queda brusca na procura.
O impacto financeiro e operacional já preocupa, mas o temor agora se volta para a possibilidade de um efeito em cadeia com milhares de desligamentos.
Autoescolas à beira do fechamento
Segundo o presidente do SindCFC-RN, Eduardo Domingo, entrevistado pela Jovem Pan News Natal, o cenário é dramático.
Das 120 autoescolas em funcionamento no estado, apenas cerca de 30 teriam condições de continuar ativas caso a regra seja mantida.
Ele afirma que as empresas:
• perderam alunos;
• viram o faturamento despencar;
• perderam previsibilidade de operação;
• ficaram “à deriva”.
A estimativa do sindicato aponta que cada Centro de Formação de Condutores emprega, em média, dez pessoas. Isso coloca:
• 1.200 empregos diretos em risco;
• cerca de 950 demissões previstas, caso o setor colapse.
Eduardo compara a medida a um abalo sem precedentes ao setor, classificando-a como “uma nova pandemia” para os CFCs.
Efeito dominó na cadeia de serviços
A preocupação não se limita às autoescolas. Todo o ecossistema ligado à formação de motoristas pode ser atingido:
• despachantes;
• clínicas e psicólogos;
• oficinas mecânicas;
• fornecedores de materiais;
• terceirizadas responsáveis por exames práticos.
Para o sindicato, o argumento do governo de reduzir custos de habilitação não se sustenta, já que a CNH é considerada uma ferramenta importante de inserção no mercado de trabalho.
Dois ou três meses trabalhando com aplicativo e o investimento se paga”, defende o dirigente.
Estrutura pública não comporta aumento de demanda
Outro ponto crítico levantado pelos representantes das autoescolas é a infraestrutura do Detran. Mesmo hoje, com formação obrigatória e fluxo controlado, os candidatos enfrentam espera de meses para realizar os exames.
Com a liberação de candidatos independentes, o setor prevê:
• triplo de demanda;
• gargalos maiores na oferta de exames;
• impossibilidade de absorção do novo volume.
“Não tem como comportar esse volume”, alerta Eduardo Domingo.
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