Cidades

Camarão e lagosta sentem dor ao serem cozidos vivos? Confira estudo que indica novas práticas para preparo culinário

Comportamentos e respostas fisiológicas de crustáceos indicam dor, exigindo revisão nas legislações sobre abate e manejo. - Reprodução/Freepik
Especialistas afirmam em novo estudo que crustáceos sentem dor, levantando questões sobre práticas culinárias e bem-estar animal  |   BNews RN - Divulgação Comportamentos e respostas fisiológicas de crustáceos indicam dor, exigindo revisão nas legislações sobre abate e manejo. - Reprodução/Freepik
Dani Oliveira

por Dani Oliveira

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Publicado em 08/12/2025, às 07h50



A discussão sobre a ética no preparo de crustáceos ganhou destaque com a Declaração de Senciência em Crustáceos, que afirma a capacidade desses animais de sentir dor, gerando um novo debate sobre suas práticas culinárias.

Estudos compilados na declaração indicam que entre 7,6 e 76 trilhões de camarões são capturados anualmente, e a falta de empatia em relação a esses animais é atribuída a diferenças biológicas e comportamentais que dificultam a percepção de seu sofrimento.

A declaração propõe a revisão de legislações e práticas de abate, buscando alinhar o manejo de crustáceos às normas que já protegem outros animais, o que pode impactar a indústria alimentícia e o bem-estar animal em países com forte atividade pesqueira.

Resumo gerado por IA

A discussão sobre a ética no preparo culinário de crustáceos ganhou um novo capítulo. Embora seja comum que camarões, lagostas e outros invertebrados sejam cozidos ainda vivos — prática antiga na gastronomia — cientistas vêm alertando para o possível sofrimento desses animais durante o processo.

Agora, novas evidências reforçam o debate: um grupo de pesquisadores brasileiros e internacionais lançou a Declaração de Senciência em Crustáceos, documento que afirma que esses animais são capazes de sentir dor e outras sensações.

Novas evidências reforçam o debate: um grupo de pesquisadores brasileiros e internacionais lançou a Declaração de Senciência em Crustáceos, documento que afirma que esses animais são capazes de sentir dor e outras sensações. Imagem internet.
Novas evidências reforçam o debate: um grupo de pesquisadores brasileiros e internacionais lançou a Declaração de Senciência em Crustáceos, documento que afirma que esses animais são capazes de sentir dor e outras sensações. Imagem internet.

A publicação, divulgada em 1º de dezembro e liderada pela organização brasileira Alianima, reúne a assinatura de 35 especialistas de diversas áreas.

O texto compila estudos que apontam comportamentos, estruturas anatômicas e respostas fisiológicas compatíveis com um sistema de dor complexo, semelhante — em parte — ao observado em outros animais reconhecidamente sencientes.

Impacto global: trilhões de crustáceos abatidos por ano

Um dos pontos mais contundentes da declaração são os números da pesca comercial:
entre 7,6 e 76 trilhões de camarões são capturados e abatidos anualmente no mundo.

Apesar disso, os crustáceos não costumam receber cuidados minimamente semelhantes aos oferecidos a animais vertebrados durante captura, manejo e preparo culinário.

O documento destaca que a falta de empatia humana se explica, em parte, por diferenças biológicas e comportamentais.

Um dos pontos mais contundentes da declaração são os números da pesca comercial: entre 7,6 e 76 trilhões de camarões são capturados e abatidos anualmente no mundo. Imagem internet.
Um dos pontos mais contundentes da declaração são os números da pesca comercial: entre 7,6 e 76 trilhões de camarões são capturados e abatidos anualmente no mundo. Imagem internet.

Crustáceos não emitem sons reconhecíveis, não demonstram expressões faciais e possuem morfologia distinta da nossa — fatores que diminuem a percepção pública de sofrimento.

Evidências científicas que sustentam a senciência

Segundo os autores da declaração:

Crustáceos possuem um sistema nervoso capaz de detectar e responder a estímulos potencialmente prejudiciais, como calor excessivo ou choques elétricos. Eles apresentam indicações comportamentais, anatômicas e fisiológicas de um sistema de dor sofisticado. Outras demonstrações mostram evidência de respostas comportamentais complexas a estímulos nocivos, como o autocuidado ou ‘esfregar’ a região afetada.”

Entre os indícios documentados, destacam-se:

• Reação a estímulos nocivos, como altas temperaturas e choques
• Alterações comportamentais típicas de dor, como fugir, evitar riscos e proteger regiões lesionadas
• Comportamentos de autocuidado, incluindo “esfregar” áreas afetadas
• Estruturas neurais compatíveis com processamento de estímulos dolorosos

O que muda a partir de agora?

A Declaração de Senciência reforça a necessidade de discutir legislações, protocolos de abate e práticas gastronômicas mais humanizadas, alinhando o manejo de crustáceos às normas já aplicadas a outros animais.

O documento deve ampliar o debate sobre bem-estar animal, ética no consumo e responsabilidades da indústria alimentícia — especialmente em países líderes na pesca e na exportação de camarões.

Classificação Indicativa: Livre

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