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Política

Votação de 5 a 4 mantém Gonet no caso Master e revela divisão no MPF

Após votação apertada, procurador-geral continua responsável pelas apurações relacionadas ao Banco Master, apesar das controvérsias  |  Antonio Augusto/STF

Publicado em 28/09/2026, às 17h19   Antonio Augusto/STF   Jussier Lucas

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, permanece à frente das apurações relacionadas ao Banco Master após o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) rejeitar, por 5 votos a 4, a abertura de uma investigação sobre sua atuação no caso.

A decisão foi tomada na sexta-feira (25), durante sessão extraordinária do colegiado. Em outra deliberação, os conselheiros decidiram por unanimidade não analisar um pedido de suspeição ou impedimento de Gonet, por entenderem que o Conselho não tem competência para afastá-lo dos processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar do resultado, integrantes da PGR ouvidos pela CNN Brasil avaliam que o placar apertado expôs divergências dentro do próprio Ministério Público Federal e não encerrou a desconfiança de parte dos colegas sobre a relação de Gonet com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Placar revela divisão no Conselho

A votação sobre a abertura de investigação terminou com cinco votos pelo arquivamento e quatro favoráveis à designação de um subprocurador-geral para aprofundar a apuração. O voto decisivo foi de Nicolao Dino, vice-presidente do Conselho, que acompanhou o relator Francisco Sanseverino.

Os conselheiros que defenderam a apuração argumentaram que ainda havia pontos a esclarecer antes de uma decisão definitiva. Entre as questões citadas estavam informações sobre um evento em Londres patrocinado pelo Banco Master, a participação do filho de Gonet no encontro e o conteúdo de uma ligação entre o procurador-geral e Vorcaro.

Já o relator concluiu que os elementos apresentados não reuniam indícios mínimos para justificar a abertura de uma investigação criminal contra Gonet. Segundo ele, as mensagens extraídas do celular de Vorcaro não registravam conversas diretas entre o ex-banqueiro e o procurador-geral.

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Relação com Vorcaro está no centro da controvérsia

A discussão surgiu após a divulgação de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, nas quais o nome de Gonet é mencionado. O material também trouxe à tona uma fotografia dos dois durante um evento em Londres, em abril de 2024.

Segundo as informações analisadas pelo Conselho, o advogado Ciro Soares teria feito a interlocução entre Gonet e Vorcaro. O relator considerou que as referências encontradas nas mensagens não eram suficientes, por si só, para caracterizar uma relação de proximidade capaz de justificar a investigação.

Gonet nega ter relação de amizade com Vorcaro, afirma que não cometeu irregularidades e sustenta estar apto a continuar atuando nos processos relacionados ao Banco Master.

Desgaste interno deve continuar em discussão

De acordo com relatos de integrantes da PGR ouvidos pela CNN Brasil, parte dos subprocuradores considera que o resultado apertado não elimina as dúvidas levantadas durante o processo. A avaliação é de que o episódio ainda pode gerar constrangimento em futuras sessões do Conselho Superior do MPF.

Aliados de Gonet, por outro lado, minimizam o impacto do resultado sobre a gestão e consideram que o arquivamento encerra a discussão no âmbito do Conselho. Eles reconhecem, contudo, que o placar causou surpresa entre integrantes próximos ao procurador-geral.

Com a decisão, Gonet continua responsável pelos processos relacionados ao Banco Master no STF. O Conselho Superior do MPF informou que não identificou elementos mínimos para a tipificação de crime de prevaricação e manteve o procurador-geral no caso.

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