Política
Publicado em 04/11/2025, às 16h04 Presidente Lula (PT) - Brenno Carvalho/ O Globo José Nilton Jr.
Nesta terça-feira (4), o presidente Lula (PT) declarou que o governo federal não irá aceitar encerrar em silêncio a megaoperação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro. Ele alegou que será necessária uma investigação independente para apurar o que ocorreu no último dia 28 de outubro, durante a ação contra o Comando Vermelho nas comunidades da Penha e do Alemão.
Entre os mortos durante a aoperação, quatro eram policiais. De acordo com o presidente, a decisão judicial autorizava prisões, não mortes. Lula ainda afirmou que é preciso esclarecer as circunstâncias e entender como a operação se transformou no episódio mais letal da história do Brasil.
“A ordem era para prender, não para um massacre”, disse o presidente durante uma entrevista coletiva concedida em Belém. A cobrança pública coloca o governo diante de um cenário político delicado no Brasil. Enquanto o Planalto fala em violação de direitos, cresce no país o apoio a ações policiais consideradas de “linha dura” contra o crime organizado.
A posição do governo federal contrasta com as declarações das autoridades do Rio de Janeiro. O governador Cláudio Castro disse que a ação foi bem conduzida, classificou as mortes como resultado do confronto com criminosos e declarou que “as únicas vítimas reais” foram os policiais mortos durante a operação.
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A operação tinha como alvo lideranças e integrantes da facção criminosa Comando Vermelho e bloqueou acessos, ruas e conjuntos habitacionais inteiros. Imagens que circularam após a ação mostram tiroteios, prisões e resgates de feridos retirados sob fogo cruzado, o que intensificou o debate sobre o uso da força policial.
Embora o governo estadual sustente que a ação reduziu o poder de fogo do crime organizado, entidades de direitos humanos e especialistas questionam procedimentos, abordagens e possíveis execuções sumárias.
Durante a entrevista, Lula disse que a letalidade da operação não pode ser tratada como triunfo. O presidente reforçou que o Estado tem responsabilidade sobre a vida de qualquer cidadão, inclusive de investigados. Na visão dele, os resultados mostram que houve “total fracasso” da política de segurança naquele episódio.
A operação já é investigada pelo Ministério Público do Rio e deve ser acompanhada por órgãos federais caso seja instalada uma apuração independente, como defendeu Lula.