Política
Publicado em 25/10/2026, às 13h23 Crédito: Nelson Jr./Ascom/TSE Giovana Gurgel
Um eleitor do Colégio Contemporâneo, no bairro de Potilândia, em Natal, suspeitou que a urna eletrônica utilizada na votação estava configurada para uma seção eleitoral da Bahia após encontrar na tela a expressão “Praia da Barra do Cahy”. A informação, no entanto, é falsa. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), o nome identifica a versão do sistema operacional utilizado nas urnas de todo o Brasil nas Eleições 2026 e não indica irregularidade no equipamento.
O esclarecimento foi divulgado após a circulação da suspeita de que o aparelho estaria preparado para receber votos de eleitores baianos. A Justiça Eleitoral explica que a identificação exibida na tela não tem relação com o estado em que a urna está instalada, com os candidatos disponíveis ou com a apuração dos votos.
A Praia da Barra do Cahy, que fica no município de Prado, na Bahia, foi escolhida como referência para batizar a versão do programa utilizado neste ano. O nome faz parte de uma prática adotada pela Justiça Eleitoral para identificar os sistemas tecnológicos empregados nos processos de votação.
Desde 2012, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) utiliza nomes temáticos para identificar versões do Uenux, sistema operacional das urnas eletrônicas. A cada eleição, a equipe técnica escolhe referências relacionadas à cultura ou à geografia brasileira para diferenciar as versões desenvolvidas, testadas e disponibilizadas.
Em 2026, a homenagem ao litoral brasileiro deu origem ao codinome “Praia da Barra do Cahy”. Apesar da referência geográfica à Bahia, o mesmo sistema é utilizado em equipamentos de votação de todo o país, incluindo as seções eleitorais potiguares.
A configuração específica de cada urna ocorre quando são carregados os dados referentes aos eleitores e candidatos de determinada seção. É esse procedimento que define as informações disponíveis para votação em cada equipamento, e não o nome utilizado para identificar o software.
A utilização de codinomes para versões de programas é uma convenção comum no setor de tecnologia. Sistemas como Android e Ubuntu também adotam nomenclaturas próprias para identificar produtos ou versões. Na Justiça Eleitoral, a prática contribui para o controle das versões, o registro de correções e a organização do suporte técnico.
Em eleições anteriores, os sistemas receberam nomes como “Rio São Francisco”, em 2014; “Macunaíma”, em 2018; “Onça-pintada”, em 2022; e “Tupiniquim”, em 2024. As denominações seguem uma lógica de identificação técnica e não representam a origem dos votos ou dos candidatos.
Dessa forma, a presença do nome de uma praia baiana na tela de uma urna instalada em Natal não comprova falha técnica, favorecimento regional ou qualquer irregularidade eleitoral. De acordo com o esclarecimento do Tribunal Regional Eleitoral do RN, trata-se apenas do nome atribuído à versão do sistema utilizado nas eleições de 2026.
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