Política

Urna eletrônica pode ser fraudada? TRE-RN revela os mecanismos e ações de segurança nas eleições e explica como o sistema é fiscalizado

Elí Bernardo, Bnews RN
Compreenda a importância da urna eletrônica na prevenção de fraudes e na promoção da transparência nas eleições no Brasil  |   BNews RN - Divulgação Elí Bernardo, Bnews RN
Elí Bernardo

por Elí Bernardo

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Publicado em 01/08/2026, às 08h00



A segurança das urnas no processo eleitoral é um tema que sempre entra em discussão em ano de eleições no Brasil. Por isso, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TRE-RN), deu detalhes ao Portal BNews RN e reforçou aspectos importante sobre a preparação, funcionamento, auditorias e testes dos equipamentos eletrônicos até o dia da votação, 4 de outubro.

Sobre os questionamentos e dúvidas que envolvem o tema, a reportagem do BNews RN conversou com servidores do TRE-RN para entender mais sobre a segurança das urnas e lisura do sistema para o pleito.

Segundo o servidor da seção de urna eletrônica do Tribunal Regional Eleitoral do RN,Luiz Panatis, desde que foi instituída, na década de 90, as urnas eletrônicas são inspecionadas, auditadas e passam por manutenções constantes durante o ano, não somente em época de eleição.

As pessoas tentam descredibilizar o que é feito com esse equipamento, mas nada fica demonstrado ou provado. Não há como os dados dessa urna eletrônica vazarem. Ela não tem placa de rede, não tem como se comunicar com a internet e a própria história dela mostra que o equipamento é seguro", explicou o servidor.


"São trinta e tantos anos já trabalhando com isso e eu não consigo enxergar como a urna pode ser violada", complementou o servidor.

Já a coordenadora de eleições do Tribunal Regional Eleitoral do RN, Tereza Baracho, lembrou que além da segurança do próprio sistema da urna, outra medida que foi tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é o cadastramento biométrico, que elimina qualquer forma de fraudes ou do voto individual ser exercido por outra pessoa que não seja o da digital cadastrada.

O cadastramento biométrico é para garantir não só a celeridade da votação, mas principalmente a segurança desse processo. Porque com isso, com o reconhecimento da biometria no momento da votação, ninguém pode votar pelo outro", defendeu a coordenadora do TRE-RN.
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Auditorias e fiscalização das Urnas Eleitorais

Diante das Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral, destacou recentemente que o sistema de segurança das urnas eletrônicas passa por cerca de 40 etapas de fiscalização e auditoria, realizadas com a participação de órgãos públicos, partidos políticos, universidades e representantes da sociedade civil, com o objetivo de garantir transparência e confiabilidade ao processo eleitoral.

Diferente do que muitos pensam, essa auditoria e fiscalização existem antes da eleição, durante o processo eleitoral e após a eleição. Então, são muitos eventos que acontecem iniciando pela abertura dos códigos fontes dos sistemas das urnas eletrônicas, pelo TSE, para entidades fiscalizadoras, onde elas podem, durante o teste público de segurança, apontar vulnerabilidades dos sistemas", explicou Tereza Baracho, coordenadora de eleições do TRE no Rio Grande do Norte.

Segundo a Justiça Eleitoral, o processo de votação possui inúmeras oportunidades de auditoria e fiscalização antes, durante e depois das eleições. 

Além das entidades formalmente designadas, os cidadãos também podem participar das oportunidades de auditoria e fiscalização listadas da seguinte forma em pelo menos em três momentos: 1ª antes da eleição, 2ª no dia da eleição e 3ª depois da eleição.

Antes da Eleição

Esse primeiro momento acontece 12 meses antes da eleição, com a abertura do código fonte. 

Essa é uma etapa de fiscalização e auditoria na qual são abertos todos os códigos dos sistemas da urna eletrônica, incluindo sistema operacional, bibliotecas, programas de criptografia e os respectivos compiladores, além dos sistemas utilizados na geração de mídias para as urnas eletrônicas, bem como os usados na transmissão, no recebimento e no gerenciamento dos arquivos de totalização.

O objetivo é submeter à avaliação da sociedade os códigos-fonte dos sistemas que serão utilizados nas eleições.

Após isso, outras ações acontecem nessa primeira etapa, como: testes públicos de segurança, de confirmação do TPS (Teste Público de Segurança), cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas, cerimônia de geração de mídias, de preparação de urnas e por fim a verificação dos sistemas eleitorais instalados no TSE e dos destinados à transmissão dos BUS.

No dia da Eleição

Essa é a 2ª etapa, quando acontece uma auditoria de funcionamento das urnas eletrônicas (Teste de Integridade).

O que é:
É a votação pública, aberta e auditada, em uma urna eletrônica que estava pronta para uso na eleição, utilizando-se os mesmos votos em cédula de papel que também são depositados em uma urna de lona. Ao final, compara-se o resultado da urna eletrônica com os da urna que recebeu votos em papel.

O objetivo final é demonstrar, de maneira simples e didática, que o funcionamento da urna eletrônica está correto. Esse processo é realizado desde 2002, nunca houve divergência entre os resultados da urna eletrônica e da contagem dos votos em papel.

Após isso ainda acontece os seguintes procedimentos nessa etapa: 

  • Teste de Autenticidade dos Sistemas Eleitorais;
  • Zerésima;
  • Registro Digital do Voto (RDV);
  • Boletim de Urna (BU);
  • Boletim na Mão.

Depois da eleição

Publicação de arquivos na internet

Essa última etapa acontece até 3 dias após a eleição e consiste na publicação no site do TSE os seguintes arquivos:

  • Boletins de Urna (BU) e suas respectivas assinaturas digitais;
  • Registro Digital do Voto;
  • Logs das urnas eletrônicas utilizadas na eleição.

Além desses arquivos, são disponibilizadas no Portal de Dados Abertos do TSE as correspondências esperadas e efetivadas, além dos resultados de votação nominal por município e zona eleitoral de cada Estado, por seção eleitoral e detalhes de apuração por seção, município e zona eleitoral.

Com esses arquivos é possível auditar os resultados e o funcionamento das urnas eletrônicas de todo o país.

"O TSE tem um tempo para consertar, para adaptar, adequar os sistemas a essas vulnerabilidades e a partir daí melhorar esse sistema, a questão da segurança. Tem a parte toda de informação dos eleitores, dos candidatos, tem a conferência das assinaturas que foram feitas lá no TSE na lacração dos sistemas, e tanto a OAB, defensoria pública, os partidos, várias instituições podem acompanhar essas cerimônias, tanto da geração de mídia, como da preparação das urnas", concluiu a servidora Tereza do TRE.

Vale lembrar que todas as etapas dos mecanismos de segurança das urnas eletrônicas podem ser consultadas no portal da Justiça Eleitoral.

Quando as urnas foram implementadas no país?

Desde que surgiu, a urna eletrônica brasileira é considerada um marco global em tecnologia eleitoral

A norma que instituiu a urna eletrônica foi a Lei nº 9.100/1995. O artigo 18 dessa lei autorizava o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os tribunais regionais eleitorais (TREs) a utilizarem o sistema eletrônico de votação e apuração de votos. 

O equipamento passou a fazer parte das Eleições Municipais no Brasil, no ano de 1996. Desde esse ano, a Justiça Eleitoral tem promovido avanços contínuos nos aparelhos, que fortalecem, ainda mais, a transparência, a segurança e a auditabilidade do sistema eletrônico de votação, de apuração e de totalização de votos.   

Já informatização do processo eleitoral iniciou em 1985, com a criação de um cadastro único com 70 milhões de eleitoras e eleitores do país, eliminando fraudes, como registros duplicados e de pessoas falecidas.  

Esse recadastramento possibilitou avanços no sistema, como a instalação de infraestrutura computacional no TSE, nos TREs e nas zonas eleitorais, além da criação de uma rede de transmissão de dados interligada.   

Já no ano 1994, a totalização dos votos foi informatizada, embora a apuração ainda acontecesse de forma manual. Em 1995, iniciou a informatização do voto, já com o desenvolvimento do protótipo da urna eletrônica por uma comissão de juristas e técnicos. 

Por que o processo se tornou eletrônico?

O uso da tecnologia da urna foi uma resposta efetiva às fraudes que ocorriam, frequentemente, em diversas etapas do processo eleitoral, desde os tempos do Império até a implantação do processo eletrônico, e trouxe segurança e confiança às eleições no Brasil.

Para saber mais sobre a cronologia da informatização do processo eleitoral clique aqui.

Eleitorado do RN

O Rio Grande do Norte contará com 2.660.565 eleitores aptos para as Eleições Gerais de 2026, representando um aumento de 4,14% em relação ao pleito de 2022, em um contexto de mais de 158 milhões de eleitores em todo o Brasil.

Classificação Indicativa: Livre

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