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TSE investiga suposta rede de perfis usada para ampliar alcance de Flávio Bolsonaro

Investigação do TSE envolve Flávio Bolsonaro e outros candidatos em suposta manipulação de conteúdo eleitoral no Instagram  |  Jussier Lucas/BNews RN

Publicado em 22/09/2026, às 18h06   Jussier Lucas/BNews RN   Jussier Lucas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu nesta terça-feira (22) uma investigação sobre uma suposta rede de perfis no Instagram que teria ampliado a circulação de conteúdos eleitorais relacionados à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A ação também envolve o candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), e o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

O processo foi apresentado pela Coligação Brasil Pronto Pra Mais, ligada à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A acusação sustenta que os investigados teriam se beneficiado de uma estrutura coordenada de publicações em formato de “collab”, recurso do Instagram que permite que uma mesma postagem apareça nos perfis de diferentes coautores.

Segundo a coligação, a estratégia poderia produzir efeito semelhante ao impulsionamento de conteúdo eleitoral, ampliando o alcance das publicações sem contratação formal, identificação de responsável e registro contábil. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral em exercício, determinou o prosseguimento da investigação, mas a decisão não representa uma conclusão de que as irregularidades tenham sido comprovadas.

Levantamento aponta 1.826 publicações

Os dados apresentados pela coligação apontam que a rede analisada chegou a 1.826 publicações em coautoria envolvendo 492 perfis. Em um primeiro levantamento, realizado até 7 de setembro, foram identificadas 492 collabs entre 324 contas.

Uma atualização feita entre 8 e 17 de setembro acrescentou outras 1.334 publicações e 168 perfis ao mapeamento. Somadas, as contas alcançavam cerca de 147,3 milhões de seguidores, embora o número não represente usuários individuais, já que há sobreposição entre as audiências dos perfis.

A acusação também aponta que 74 dos perfis identificados seriam contas oficiais de candidatos ou campanhas e que essas contas participaram de 207 publicações em coautoria. No caso de Mário Frias, foram identificadas dez collabs, nove delas com um perfil de apoio a Flávio Bolsonaro.

O processo ainda cita 12 perfis que, juntos, teriam mais de 10 milhões de seguidores e divulgado links para produtos relacionados à campanha vendidos pela loja Bella Chic Store, na Shopee. A coligação questiona se a estrutura digital também poderia ter sido utilizada para obter vantagem econômica durante a campanha.

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TSE determina preservação de dados

Como medida cautelar, Cueva determinou que a Meta preserve os registros e metadados das contas e publicações investigadas. A empresa também deverá fornecer informações capazes de identificar titulares e administradores dos perfis, além de dados de acesso e eventuais vínculos entre contas.

A determinação inclui registros de criação e acesso dos últimos 90 dias. A decisão também considerou o fato de que algumas páginas apontadas na investigação ficaram indisponíveis durante o período analisado, o que poderia comprometer a preservação das provas.

A Meta terá 48 horas para cumprir as determinações. A Shopee também recebeu o mesmo prazo para informar os responsáveis pela loja Bella Chic Store e dados relacionados aos links mencionados no processo. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 50 mil.

Os investigados terão cinco dias para apresentar defesa. No caso de Mário Frias, por ser candidato a deputado federal, o TSE informou que a competência para julgar a ação será reavaliada depois da manifestação da defesa.

Campanha de Flávio contesta acusação

Em manifestação divulgada à imprensa, a equipe de Flávio Bolsonaro afirmou que publicações em formato de collab não configuram, por si só, uma prática ilícita. A campanha sustenta que as colaborações são voluntárias e orgânicas e contesta a interpretação apresentada pela coligação adversária.

A defesa também classificou o processo como uma tentativa de censura e negou a existência de uma rede de desinformação. Segundo a campanha, trata-se de uma rede orgânica de críticas ao governo Lula.

A ação ainda será analisada no curso da investigação. A coligação autora pede, ao final do processo, a aplicação das sanções eleitorais previstas caso sejam comprovadas as irregularidades apontadas.

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