Política
Publicado em 03/11/2026, às 17h00 Foto: Reprodução Giovana Gurgel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que vai encerrar, até o fim de dezembro de 2026, os repasses anuais de aproximadamente US$ 4 bilhões destinados a Israel. Segundo o republicano, a decisão foi acertada meses atrás com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Apesar da suspensão da ajuda financeira, Trump garantiu que o país continuará tendo acesso à compra de armamentos americanos.
Em entrevista por telefone, o presidente justificou a medida alegando que Israel já possui condições de reduzir sua dependência da assistência financeira americana. Ele também relacionou o tema às críticas de democratas e políticos de esquerda, que utilizam o volume de recursos enviados ao governo israelense como argumento contra os republicanos.
“Agora, quanto aos pagamentos a Israel, Bibi e eu fizemos um acordo. Damos a Israel US$ 4 bilhões por ano e, meses atrás, acertamos que vamos interromper isso”, declarou Trump, utilizando o apelido pelo qual Netanyahu é conhecido.
A declaração levanta dúvidas sobre o futuro da cooperação entre os dois países, já que existe um compromisso firmado em 2016, durante o governo de Barack Obama, que estabelece US$ 3,8 bilhões anuais em assistência militar a Israel durante dez anos. O memorando prevê um total de US$ 38 bilhões e tem validade até 2028.
O valor mencionado por Trump, de aproximadamente US$ 4 bilhões, é ligeiramente superior ao previsto no acordo militar em vigor. O presidente, porém, não esclareceu se pretende antecipar o encerramento desse compromisso, modificar os mecanismos de financiamento ou suspender apenas outras modalidades de assistência.
“Já concordamos que, até o fim deste ano, deixaremos de pagar Israel. Agora, ajudaremos Israel se precisar”, acrescentou o presidente americano.
Trump também afirmou que a suspensão dos repasses não impedirá Israel de continuar adquirindo equipamentos militares fabricados nos Estados Unidos. Na prática, a proposta apresentada pelo republicano diferencia a ajuda financeira concedida pelo governo americano das compras realizadas diretamente pelos israelenses.
“Eles podem comprar o que quiserem. Podem comprar o que quiserem. A Europa também. Fabricamos as melhores armas do mundo”, afirmou Trump ao comentar a continuidade das relações comerciais no setor militar.
Israel é o país que mais recebeu assistência externa dos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, acumulando aproximadamente US$ 308 bilhões em recursos. A nação também figura entre os principais compradores de equipamentos militares produzidos pela indústria americana.
O próprio Netanyahu já havia manifestado interesse em diminuir a dependência financeira de Washington. Em entrevista concedida em maio, o primeiro-ministro israelense afirmou que esperava tornar o país independente da assistência militar americana dentro de dez anos.
Em junho, ao enviar uma carta a um congressista dos Estados Unidos, Netanyahu reforçou a intenção de modificar essa relação. Na ocasião, afirmou que havia chegado o momento de Israel “deixar de ser beneficiário de ajuda e passar a ser parceiro”.
O anúncio de Trump também ocorre em meio ao desgaste político provocado pelo apoio americano a Israel durante a guerra na Faixa de Gaza. A assistência ao governo israelense passou a enfrentar resistência crescente entre eleitores dos Estados Unidos, especialmente no Partido Democrata.
Uma pesquisa realizada pela Universidade Quinnipiac em junho mostrou que 48% dos eleitores consideravam excessivo o apoio financeiro americano a Israel. Entre os democratas, a rejeição chegava a 66%.
A mudança de percepção é expressiva em relação a 2017, quando apenas 16% dos entrevistados em geral e 20% dos democratas avaliavam que os Estados Unidos ofereciam apoio excessivo ao país do Oriente Médio.
Trump voltou a mencionar esse cenário durante a entrevista e argumentou que a assistência financeira a Israel se transformou em munição política para adversários dos republicanos. O anúncio foi feito no mesmo dia das eleições legislativas americanas, que definirão a composição do Congresso para os próximos dois anos.
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