Política
Publicado em 25/04/2026, às 12h43 Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília Ranyere Fonseca
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, manter a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A votação, finalizada na noite desta sexta-feira (24) no plenário virtual da Segunda Turma, ratificou a decisão liminar do ministro André Mendonça, que havia determinado a detenção de Costa durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na semana passada.
A investigação da Polícia Federal revela um esquema de corrupção sofisticado. De acordo com o inquérito, Paulo Henrique Costa teria negociado o recebimento de R$ 146,5 milhões em propinas pagas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O valor, segundo a PF, seria "lavado" através da transferência de imóveis de alto padrão. Em troca, o então presidente do BRB teria atuado para que o banco público brasiliense absorvesse ativos podres do Master, ajudando a mascarar o rombo de R$ 12 bilhões que levou à liquidação da instituição privada.
O relator André Mendonça foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux, Nunes Marques e Gilmar Mendes, fechando o placar em 4 a 0 contra o ex-chefe do BRB. Já em relação ao advogado Daniel Monteiro, apontado como o "arquiteto jurídico" das fraudes, houve uma divergência parcial: o ministro Gilmar Mendes entendeu que ele deveria cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, mas foi vencido pelos demais colegas, que mantiveram Monteiro na cadeia.
Um detalhe que chama a atenção no julgamento é a ausência do ministro Dias Toffoli. Ele se declarou suspeito para atuar em qualquer processo relacionado ao Banco Master. A decisão de Toffoli ocorreu após a Polícia Federal encontrar menções ao seu nome em mensagens no celular de Daniel Vorcaro. As investigações apuram a ligação de um fundo de investimentos do Master com um resort no Paraná do qual Toffoli é sócio.
Com a manutenção das prisões, a expectativa agora se volta para a possível delação premiada de Daniel Vorcaro. A defesa do banqueiro já sinalizou ao STF que a colaboração poderá atingir figuras influentes nos Três Poderes, o que promete novos desdobramentos explosivos para as próximas fases da operação.