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Política

Sósia de adversário vira personagem da campanha do PL e provoca disputa

Fã ou hater? Sósia de adversário vira personagem da campanha eleitoral do Partido Liberal (PL) no Rio Grande do Norte gera polêmica  |  

Publicado em 01/09/2026, às 15h05      Anna Paula Andrade

Sósia de adversário vira personagem da campanha, que surgiu nas redes sociais e se materializou nas atividades políticas. A aparição de um homem que se apresenta como sósia do candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra (União), em atos relacionados à campanha de Álvaro Dias, do PL. A iniciativa abriu uma nova frente de disputa no ambiente digital potiguar.

Identificado nas redes pelo perfil @allysobizerro22, o homem reproduz traços associados à imagem pública de Allyson, como o chapéu de couro e um modo particular de dançar, correr e se movimentar durante eventos políticos, de forma caricata e vexatória.

Vídeos compartilhados nas redes sociais fizeram a cena ganhar ainda mais alcance e transformaram o personagem em um dos assuntos comentados da corrida eleitoral no estado. A estratégia, aparentemente concebida para produzir humor, ridicularizar e provocar o adversário, além de gerar conteúdo de fácil circulação associado ao número do partido, utiliza uma lógica conhecida do marketing eleitoral contemporâneo: transformar um ato político em espetáculo, estimular o compartilhamento espontâneo e ocupar a conversa pública com uma imagem simples, reconhecível e potencialmente viral.

O problema é que a mesma ferramenta capaz de aumentar a visibilidade também pode ampliar o desgaste. Nas redes, parte dos usuários entra na brincadeira, dança e interpreta a performance como divertida. Outra parcela, porém, questiona o tom das provocações e compreende a iniciativa como uma tentativa de ridicularizar o adversário.

Em uma campanha marcada por disputas de identidade e forte polarização, a estratégia de humor pode aproximar eleitores. Mas, caso se consolide a percepção de ridicularização, agressividade ou ataques pessoais, também pode afastar possíveis eleitores. A linha, nesses casos, é muito tênue.

Do ponto de vista estratégico, levar um sósia do principal adversário a atos públicos é uma aposta de alto risco. A ação ajuda a criar uma assinatura visual para a campanha de Álvaro Dias e pode mobilizar apoiadores já engajados. No entanto, dificilmente substitui um candidato com propostas, presença territorial e comunicação consistente.

Se o personagem dominar a narrativa dos eventos, a campanha pode perder o controle da própria mensagem: o foco deixa de ser o candidato e passa a ser a provocação, o personagem, a baixaria.

Há ainda um desafio de gestão de marca. Ao explorar características facilmente associadas a Allyson Bezerra, a campanha de Álvaro Dias tenta ocupar simbolicamente o espaço do adversário. Essa apropriação pode funcionar como sátira eleitoral, mas exige cuidado para não gerar confusão sobre autoria, intenção ou eventual uso indevido da imagem.

A avaliação jurídica depende do contexto, da forma de divulgação e das regras aplicáveis à propaganda eleitoral. Por isso, a repercussão política do episódio não deve ser confundida, por si só, com uma conclusão legal.

O episódio mostra como o marketing eleitoral mudou. Em vez de depender apenas de discursos, santinhos e inserções tradicionais, as campanhas disputam absolutamente tudo: símbolos, personagens, memes e momentos capazes de sobreviver ao evento original.

A viralização, porém, não é sinônimo de persuasão. Curtidas e compartilhamentos medem atenção, não necessariamente conversão em votos.

Já disse mais de uma vez: seguidor não é sinônimo de eleitor.

Classificação Indicativa: Livre


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