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Rogério Marinho quer mudar regra e facilitar impeachment de ministros do STF no Senado; entenda proposta

Proposta de Rogério Marinho visa abrir processos de impeachment de ministros do STF automaticamente com apoio de 49 senadores  |  Carlos Moura/Senado

Publicado em 15/09/2026, às 16h58   Carlos Moura/Senado   Jussier Lucas

O senador Rogério Marinho (PL-RN) anunciou uma proposta da oposição para mudar o regimento do Senado e tornar automática a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) quando o pedido tiver o apoio de pelo menos 49 senadores. Atualmente, a decisão sobre o prosseguimento dessas solicitações depende da Presidência da Casa.

A proposta ainda não foi votada e enfrenta resistência dentro do próprio cenário político. Segundo os oposicionistas, a mudança dificilmente será aprovada ainda em 2026, e a estratégia passou a considerar a próxima legislatura como uma possibilidade para alterar o rito.

O debate ocorre em meio à pressão da oposição pela análise de pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) chegou a defender que o grupo bloqueie votações no Senado caso as solicitações não sejam analisadas.

Oposição quer mudar rito de impeachment

Pelo modelo defendido por Rogério Marinho, um pedido de impeachment de ministro do STF que alcançasse o apoio de 49 senadores teria seu processo aberto automaticamente, sem depender de uma decisão inicial do presidente do Senado.

Atualmente, cabe ao presidente da Casa analisar os pedidos apresentados e decidir sobre o encaminhamento. A mudança, portanto, reduziria o poder de decisão da Presidência sobre a abertura dos processos.

A palavra final sobre o andamento das solicitações atualmente está com Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado. A oposição, no entanto, reconhece que não possui, neste momento, perspectiva concreta de alterar o procedimento ainda neste ano.

A estratégia defendida por Rogério Marinho mira, por isso, uma eventual mudança na composição do Senado a partir da próxima legislatura.

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Alexandre de Moraes está no centro da pressão

A proposta ganhou força em meio à ofensiva da oposição contra Alexandre de Moraes. Parlamentares do grupo defendem que pedidos de impeachment apresentados contra o ministro sejam analisados pelo Senado.

Carlos Viana afirmou que a oposição poderá adotar medidas para dificultar a votação de outras matérias caso os pedidos não avancem. A ideia de obstrução amplia a pressão política sobre a Presidência do Senado para que as solicitações sejam examinadas.

O debate, porém, envolve uma mudança no funcionamento interno da Casa e ainda depende de aprovação dos próprios senadores. Até o momento, não houve votação que alterasse o rito.

Datafolha mede opinião sobre ministros

A discussão também ocorre enquanto uma pesquisa Datafolha mostra diferentes níveis de apoio da população a medidas contra ministros do Supremo.

O levantamento ouviu 2.002 pessoas em 120 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No caso de Alexandre de Moraes, 34% dos entrevistados afirmaram ser favoráveis ao afastamento temporário do ministro, enquanto 28% disseram apoiar o impeachment.

Em relação a André Mendonça, os índices foram diferentes: 37% defenderam o afastamento temporário e 12% se mostraram favoráveis ao impeachment.

Os números medem a opinião dos entrevistados sobre as medidas, mas não representam uma decisão sobre os processos que tramitam ou possam ser apresentados no Senado.

Mudança pode ficar para próxima legislatura

Apesar da pressão da oposição, a alteração do rito ainda depende de articulação política dentro do Senado. O grupo admite que a aprovação em 2026 é considerada difícil.

A proposta de Rogério Marinho estabelece um novo parâmetro para a abertura de processos de impeachment, vinculando o início automático do procedimento ao apoio de 49 senadores.

Caso avance, a mudança alteraria a dinâmica atual, na qual a Presidência do Senado tem a prerrogativa de decidir sobre o encaminhamento inicial dos pedidos.

Por enquanto, a regra permanece a mesma e os pedidos de impeachment contra ministros do STF continuam sujeitos à análise da Presidência da Casa.

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