Política
Publicado em 04/02/2026, às 13h27 Reprodução/Montagem Giovana Gurgel
Seis parlamentares do Rio Grande do Norte assinaram pedidos para a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito no Congresso Nacional com o objetivo de apurar suspeitas de fraudes envolvendo o banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025 e investigada pela Polícia Federal.
As iniciativas miram irregularidades no sistema financeiro e colocam o caso no centro do debate político em Brasília. Até o momento, dois requerimentos distintos foram protocolados, um prevendo uma comissão mista e outro restrito à Câmara dos Deputados.
As apurações buscam esclarecer denúncias que envolvem desde fraudes financeiras bilionárias até suposta manipulação contábil e criação de ativos inexistentes.
O pedido mais robusto foi apresentado nesta terça-feira (3) por meio de requerimento do deputado federal Carlos Jordy, do Partido Liberal do Rio de Janeiro (PL-RJ). A proposta prevê a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito mista, composta por deputados federais e senadores.
Cinco parlamentares potiguares subscrevem o requerimento, os deputados federais Carla Dickson, do União Brasil; General Girão, do PL; e Sargento Gonçalves, também do PL, além dos senadores Rogério Marinho (PL), e Styvenson Valentim, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
O pedido reúne 239 assinaturas de deputados e 42 de senadores, número superior ao mínimo exigido, que é de 171 deputados e 27 senadores. A maioria dos apoios vem de partidos de oposição, com apenas um parlamentar do Partido dos Trabalhadores (PT) entre os signatários.
O segundo requerimento trata da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito exclusivamente na Câmara dos Deputados. A proposta é de autoria do deputado federal Rodrigo Rollemberg, do Partido Socialista Brasileiro do Distrito Federal (PSB-DF).
Esse pedido conta com 201 assinaturas, também acima do mínimo necessário. Da bancada do Rio Grande do Norte, apoiam a iniciativa os deputados Carla Dickson, do União Brasil, Natália Bonavides, do PT, e Sargento Gonçalves, do PL.
Diferentemente da CPI mista, essa proposta tem apoio formal do Partido dos Trabalhadores, legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que contribuiu com 42 assinaturas. Pelo Partido Liberal, 34 deputados federais subscrevem o requerimento.
O banco Master é alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo operações financeiras conduzidas pela instituição, controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.
As apurações também alcançam o Banco de Brasília (BRB), instituição financeira estatal controlada pelo Governo do Distrito Federal, diante da suspeita de tentativa de transferência irregular de passivos.
Em novembro de 2025, o Banco Central do Brasil determinou a liquidação extrajudicial do Master, medida que resultou em um impacto estimado de R$ 40 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável pelo ressarcimento dos clientes.
Segundo a Polícia Federal, as fraudes investigadas podem ultrapassar R$ 12,2 bilhões e incluem a constituição de fundos e ativos supostamente inexistentes, falsificação de contratos, manipulação contábil e operações que poderiam gerar prejuízos ao patrimônio público.
O caso ganhou dimensão política devido à ampla rede de relações do controlador do banco em Brasília, o que levou o escândalo a alcançar diferentes esferas do poder, inclusive com possíveis desdobramentos no Judiciário.
Com dois pedidos formalizados e apoio suficiente para instalação, a definição sobre qual CPI avançará passa agora a depender da condução política do Congresso Nacional e da leitura do cenário institucional diante da gravidade das denúncias.
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