Política
Publicado em 09/04/2026, às 10h46 Reprodução internet Redação
Declarações de Imposto de Renda do Banco Master, obtidas pela CPI do Crime Organizado no Senado, apontam pagamentos milionários a empresas e escritórios ligados a figuras políticas de destaque no país.
Os repasses somam R$ 65 milhões entre 2023 e 2025, segundo informações divulgadas pelo Estadão.
Entre os beneficiários estão ex-ministros, dirigentes partidários e o ex-presidente Michel Temer (MDB), todos com vínculos contratuais declarados com a instituição financeira.
Os documentos indicam valores expressivos destinados a consultorias e serviços jurídicos prestados ao banco:
• Michel Temer: R$ 10 milhões (ex-presidente contesta e diz ter recebido R$ 7,5 milhões)
• Henrique Meirelles: R$ 18,5 milhões
• Guido Mantega: R$ 14 milhões
• ACM Neto: R$ 5,4 milhões
• Fabio Wajngarten: R$ 3,8 milhões
• Ronaldo Bento: R$ 773 mil
• Escritório ligado a familiares de Ricardo Lewandowski: R$ 6,1 milhões
• Escritório de Antônio Rueda: R$ 6,4 milhões
Os valores constam em documentos da Receita Federal encaminhados à comissão do Senado que investiga possíveis conexões com o crime organizado.
Envolvidos confirmam serviços, mas apresentam versões sobre valores
O ex-presidente Michel Temer confirmou que seu escritório foi contratado para atuar em mediação jurídica, mas afirmou que o valor recebido foi inferior ao apontado nos documentos.
Já o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega declarou ter prestado consultoria econômico-financeira ao banco em 2024 e parte de 2025, destacando que não tinha conhecimento de eventuais irregularidades.
Henrique Meirelles também confirmou vínculo, afirmando que atuou com análises de macroeconomia e mercado financeiro em caráter técnico.
ACM Neto, por sua vez, disse que os serviços prestados por sua empresa ocorreram de forma legal e sem vínculo com exercício de cargo público, evitando comentar os valores.
Defesa cita legalidade e questiona vazamento de dados
Outros envolvidos reforçaram a legalidade dos contratos. O ex-ministro Ricardo Lewandowski, por meio de sua assessoria, informou que prestou serviços de consultoria jurídica após deixar o Supremo Tribunal Federal, interrompendo suas atividades ao assumir o Ministério da Justiça em 2024.
O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, afirmou que não confirma informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilegal e destacou que os serviços prestados tiveram caráter técnico, com ampla documentação.
Pagamentos estão sob análise da CPI
As informações foram encaminhadas à CPI do Crime Organizado, que analisa possíveis irregularidades nas relações do banco com agentes públicos e privados.
O caso envolve dados fiscais protegidos por sigilo, o que também gerou questionamentos por parte de alguns citados quanto à legalidade do vazamento das informações.
Até o momento, não há conclusão oficial sobre irregularidades, e os pagamentos relatados estão sendo analisados no contexto das investigações em andamento.