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Renan chama Centrão de “parasitas e vagabundos”, promete negociar e admite descumprir decisão do STF

Durante sabatina, Renan Santos afirmou que precisará negociar com o Centrão, mas não fará acordos que considere irregulares  |  Reprodução/Internet

Publicado em 06/08/2026, às 14h26   Reprodução/Internet   Giovana Gurgel

O candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, afirmou que precisará negociar com partidos do Centrão para aprovar projetos no Congresso Nacional, mas classificou integrantes do grupo político como "parasitas", "vagabundos" e corruptos. Durante sabatina promovida pelo g1 e pela GloboNews nesta quarta-feira (5), o presidenciável também defendeu uma política de segurança mais rígida e declarou que poderá deixar de cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) caso considere que sejam ilegais.

Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan disse que pretende adotar uma postura pragmática caso seja eleito, admitindo a necessidade de dividir espaços no governo para garantir maioria no Legislativo, mas assegurando que não fará acordos que considere irregulares.

Na avaliação do candidato, o cenário político exigirá negociações com o Centrão, embora, segundo ele, essas conversas deverão seguir regras previamente estabelecidas pelo Executivo.

Negociação com o Centrão

"A rota nossa é de colisão fiscal. O carrapato sabe que o boi não pode morrer, e eles sabem que, em alguma medida, reformas vão ter que passar. Tenho certeza que não dá para governar sem o Centrão, você não vai ver um discurso de molecagem. Eu terei que negociar com eles, compor o governo, mas vou estabelecer regras", declarou.

Em outro momento da entrevista, Renan endureceu ainda mais o discurso ao comentar a futura composição do Congresso Nacional.

"O eleitor brasileiro vai eleger pelo menos 300 parasitas e vagabundos. Como eu sou um democrata, vou ter que compor, mas não com bandido. O que eu não farei são negociações não republicanas", afirmou.

Segurança pública

Questionado sobre a declaração feita em um evento partidário de que seu governo iria "matar quem roubar", o candidato afirmou que a frase fazia referência ao respaldo às ações policiais dentro dos limites previstos na legislação, sem defender abusos por parte das forças de segurança.

Segundo Renan, a atuação policial deve contar com apoio do Estado quando ocorrer em situações de legítima defesa ou de proteção de terceiros. "O bandido será tratado como bandido, e o cidadão como cidadão. O uso da força nesse caso deve ser apoiado pelo Estado, mas não significa que o abuso tem que ser acobertado", disse.

O presidenciável também citou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como inspiração na área da segurança pública, mas afirmou que pretende adotar políticas próprias, respeitando a legislação brasileira. "Não vou atropelar nada, vou fazer o estrito cumprimento da lei. Não sou o Bukele. Vou criar políticas de segurança muito duras para destruir o crime no contexto brasileiro", declarou.

Críticas ao Supremo

Ao tratar da relação entre os Poderes, Renan afirmou que o STF estaria atuando como uma "última instância legislativa", enquanto, segundo ele, o Congresso Nacional teria assumido o controle do Orçamento.

O candidato declarou que poderá deixar de cumprir uma decisão da Corte caso entenda que ela extrapole os limites constitucionais. Como exemplo, citou uma eventual decisão monocrática que impeça uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em áreas dominadas por organizações criminosas.

"Há, neste instante, no Brasil, um estado inconstitucional de coisas quando o Supremo Tribunal Federal fica passando o tempo todo por cima das atribuições de outros poderes. Cabe ao presidente da República também não aceitar isso. Não vou cumprir imediatamente uma decisão que seja ilegal", afirmou.

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Defesa da democracia

Apesar das críticas ao Supremo, Renan sustentou que sua trajetória política demonstra compromisso com a democracia. Como exemplo, lembrou que o MBL recorreu à Justiça para impedir a participação de defensores de intervenção militar em manifestações organizadas pelo grupo.

"Nunca quis andar com essa turma. Tenho asco à turma que quer dar golpe de Estado", concluiu.

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