Política
Publicado em 30/05/2026, às 16h25 Foto: Reprodução Mayane Bezerra
A articulação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao governo dos Estados Unidos virou alvo de uma representação protocolada na Procuradoria-Geral da República (PGR). Deputados federais do PSOL e da Rede pedem que o parlamentar seja investigado por suposto atentado à soberania nacional.
O pedido questiona a atuação de Flávio nas tratativas que antecederam a decisão do governo Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e deve passar a valer em 5 de junho.
Na representação, os parlamentares afirmam que Flávio Bolsonaro e outros integrantes de sua família teriam estimulado interferência estrangeira em temas internos do Brasil. O documento cita reuniões do senador com Donald Trump e Marco Rubio, realizadas nos dias 26 e 27 de maio.
Segundo os autores, a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas pode gerar consequências econômicas e jurídicas para o país, incluindo sanções financeiras e risco de medidas extraterritoriais. O governo brasileiro também demonstrou preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional.
Os deputados argumentam que o senador teria ultrapassado atribuições do mandato parlamentar ao atuar em uma área que, segundo a Constituição, cabe ao Presidente da República, como a condução das relações com Estados estrangeiros.
A peça afirma ainda que Flávio teria usado o mandato para incentivar um governo estrangeiro a interferir no sistema financeiro e na integridade territorial brasileira. Para os autores, isso poderia caracterizar negociação contrária aos interesses nacionais.
Além da abertura de inquérito policial federal, os parlamentares pedem que os fatos sejam encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para apurar eventual abuso de poder ou influência estrangeira no processo eleitoral de 2026.
Em nota, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, classificou a representação como tentativa de uso político do Judiciário.
Marinho afirmou que a interlocução com autoridades norte-americanas teve como objetivo buscar apoio para atingir as finanças das facções criminosas e fortalecer o combate à violência. Segundo ele, soberania deve significar segurança para o cidadão, e não proteção a grupos criminosos.
A representação é assinada pelos deputados Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim, Duda Salabert, Luiza Erundina, Heloísa Helena, Luizianne Lins e Chico Alencar. O documento também cita reportagem do jornal The New York Timessobre tratativas entre integrantes da família Bolsonaro e a gestão de Donald Trump.