Política
Publicado em 24/11/2025, às 15h30 Ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro - Reprodução/Metrópoles José Nilton Jr.
Nesta segunda-feira (24), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, de maneira unânime, manter a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O julgamento contou com a participação dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
O relator do caso, Alexandre de Moraes, foi o primeiro a votar e defendeu a continuidade da prisão do ex-presidente. De acordo com o ministro, Bolsonaro tem demonstrado comportamento “reiterado” de descumprimento de medidas cautelares e teria agido de forma “dolosa e consciente” ao manipular a tornozeleira eletrônica.
Além disso, Alexandre de Moraes ressaltou ainda que o próprio ex-presidente admitiu ter interferido no equipamento, caracterizando “falta grave” e “evidente falta de respeito à Justiça”.
Por sua vez, Flávio Dino também destacou a violação do dispositivo e criticou a convocação de uma vigília realizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. Para o ministro, episódios envolvendo a fuga de aliados do ex-presidente, como Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro, reforçam um quadro de “profunda deslealdade com as instituições nacionais”.
Ao comentar o chamado à vigília, Dino também afirmou que grupos de apoiadores do ex-presidente costumam agir de maneira “descontrolada”, o que, de acordo com ele, amplia o risco de conflitos, depredações e repetição de cenas semelhantes às de 8 de janeiro.
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O ministro observou ainda que até a casa de Bolsonaro poderia ser alvo de invasão, colocando policiais e moradores em risco. “Se os objetivos fossem exclusivamente religiosos, a análise poderia ser diferente. Mas a realidade tem mostrado um cenário repleto de retóricas de guerra, ódio e confrontos”, afirmou.
A prisão preventiva foi decretada por Alexandre de Moraes na madrugada de sábado (22), com a prisão sendo efetuada posteriormente, na manhã do mesmo dia. A violação da tornozeleira eletrônica e a organização da vigília por Flávio Bolsonaro foram consideradas pelo ministro como elementos que sugeriam possível tentativa de fuga.
A defesa do ex-presidente alega que a manipulação do equipamento foi resultado de um episódio de “confusão mental”, supostamente provocado pela interação inadequada de medicamentos para tratar soluços. Em audiência de custódia, Bolsonaro disse acreditar que havia uma “escuta” dentro da tornozeleira e que tentou apenas abrir a tampa, sem intenção de removê-la.
Desde o último sábado (22), o ex-presidente Jair Bolsonaro está detido em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.