Política
Publicado em 15/05/2026, às 13h11 Foto: Reprodução/Redes Sociais Giovana Gurgel
A investigação da Polícia Federal (PF) sobre supostas irregularidades envolvendo a empresa Dismed e a gestão do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), avançou para outros municípios do Oeste potiguar. Gravações obtidas pela Polícia Federal indicam discussões sobre contratos, licitações e supostas “comissões de 15%” relacionadas às prefeituras de Apodi e Pau dos Ferros, administradas por aliados políticos do ex-gestor.
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (15), os diálogos foram anexados ao inquérito da Operação Mederi, autorizada pelo juiz Rogério Fialho Moreira. Em uma das conversas, o representante comercial Sidney Carlos de Melo menciona novos faturamentos ligados ao município de Apodi e cita saldo de contratos em andamento.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados discutiam supostos retornos financeiros relacionados aos pagamentos feitos pelas prefeituras. Em um dos trechos analisados, os valores seriam “fracionados” e posteriormente devolvidos “na forma de comissões/propinas”, conforme interpretação dos investigadores.
Outro ponto da investigação envolve uma licitação de medicamentos em Pau dos Ferros. Em gravação anexada ao inquérito, um dos investigados afirma que a concorrência estaria “preparada” e menciona a inclusão de medicamentos controlados nos lotes como estratégia para dificultar a participação de empresas menores.
Ainda segundo a Polícia Federal, a empresa Dismed teria vencido cerca de 85% da licitação mencionada na conversa. O valor citado ultrapassaria R$ 700 mil.
Os investigadores também analisam o uso da expressão “papel” em uma das conversas interceptadas. Para a Polícia Federal, o termo faria referência a pagamentos realizados sem a efetiva entrega de medicamentos, prática descrita informalmente entre os investigados como “papel cagado”.
A investigação identificou ainda o uso de atas de registro de preços para adesões entre prefeituras, mecanismo conhecido como “carona”. Em áudio recuperado do WhatsApp da empresa Drogaria Mais Saúde, ligada ao mesmo grupo investigado, um representante oferece adesão pronta a atas e fornecimento sem necessidade de nova licitação.
Em outro trecho, um dos investigados afirma: “Toda carona você tem o seu”. Para a Polícia Federal, a fala sugere expectativa de vantagens indevidas em cada adesão realizada entre os municípios.
Documentos apreendidos durante a operação incluem contratos, atas de registro de preços, fotos de processos licitatórios e arquivos compartilhados entre a Dismed e a Drogaria Mais Saúde. Os materiais estavam armazenados em computadores recolhidos pelos agentes federais.
Segundo a investigação, contratos firmados pela Dismed em Apodi entre 2023 e 2025 somam pelo menos R$ 1,33 milhão. Já em Pau dos Ferros, os lotes vencidos pela empresa ultrapassariam R$ 969 mil.
Os prefeitos Marianna Almeida e Luis Sabino Neto declararam apoio público à pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Rio Grande do Norte em 2026. O ex-prefeito de Apodi, Alan Silveira, também anunciou apoio político ao grupo de Allyson após romper com o governo estadual. Conforme a apuração divulgada, parte dos contratos investigados teria sido assinada durante as gestões de Alan Silveira e Luis Sabino Neto.
A Operação Mederi foi deflagrada pela Polícia Federal em janeiro de 2026. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra sócios da Dismed, aliados políticos, integrantes da gestão municipal de Mossoró e o então prefeito Allyson Bezerra.
Até o momento, a Polícia Federal não apresentou denúncia formal nem houve condenação dos investigados citados no inquérito.
Fonte: Blog do BG