Política
Publicado em 22/01/2026, às 19h23 ASCOM/STF Jussier Lucas
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar o pedido apresentado por deputados federais que solicitavam o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria do caso que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, alvo da operação “Compliance Zero”.
A representação foi protocolada pelos deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC). Eles pediram à Procuradoria-Geral da República a declaração de impedimento e suspeição de Toffoli após a divulgação de uma viagem do ministro a Lima, no Peru, em aeronave particular que também transportava um advogado ligado à defesa de dirigente do banco investigado.
Segundo os parlamentares, o episódio levantaria dúvidas sobre a imparcialidade do magistrado no processo. A PGR, no entanto, avaliou que não há providências a serem tomadas neste momento, uma vez que o caso já se encontra sob apuração no próprio Supremo, com acompanhamento regular do Ministério Público.
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Viagem, sorteio e apuração em curso
Na decisão, Paulo Gonet destacou que a representação trata de fatos que já estão sendo analisados no âmbito do STF. “O caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República. Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento”, afirmou o procurador-geral.
A viagem citada ocorreu em 28 de novembro de 2025, em um jatinho pertencente ao empresário e ex-senador Luiz Oswaldo Pastore. Além de Toffoli, estavam a bordo o advogado Augusto Arruda Botelho — que atua na defesa de Luiz Antônio Bull, diretor de compliance do Banco Master — e o ex-deputado Aldo Rebelo. O deslocamento teve como destino a capital peruana, onde foi disputada a final da Copa Libertadores no dia seguinte.
No mesmo dia da viagem, Toffoli foi sorteado para relatar, no STF, um recurso relacionado ao Banco Master, apresentado pelos advogados de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Posteriormente, o ministro determinou o sigilo do inquérito e a transferência do caso para o Supremo, decisão que coincidiu com pedido semelhante apresentado pela defesa.
A interlocutores, Toffoli confirmou a viagem e afirmou não ter tratado do processo durante o deslocamento. Segundo o ministro, o advogado Augusto Arruda Botelho só ingressou com recurso no STF após o retorno ao Brasil, em 3 de dezembro. O magistrado também justificou o sigilo do inquérito pelo potencial impacto das investigações no mercado financeiro.
O Supremo Tribunal Federal informou que não irá se pronunciar sobre o caso. Procurado, o ministro Dias Toffoli não respondeu até a conclusão desta matéria.