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Política

O que muda para o RN com o tarifaço de 25% dos EUA? Veja os produtos taxados e os que ficaram isentos

O governo dos Estados Unidos justifica o novo tarifaço de 25% sobre inúmeros produtos brasileiros como resposta à falta de acordo comercial  |  Reprodução internet

Publicado em 16/07/2026, às 09h01   Reprodução internet   Redação

A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos importados do Brasil trouxe apreensão para diversos segmentos da economia nacional.

No Rio Grande do Norte, porém, um dos principais setores exportadores recebeu a notícia com alívio: o pescado ficou fora da nova cobrança anunciada por Washington.

A medida foi oficializada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), por determinação do presidente Donald Trump, e entra em vigor na próxima terça-feira (22).

Apesar do aumento tarifário atingir centenas de produtos brasileiros, uma extensa lista de exceções preserva itens considerados estratégicos para a economia norte-americana, entre eles o atum, a lagosta e outros pescados exportados pelo Brasil.

O resultado foi comemorado pelo mercado pesqueiro potiguar, que vinha acompanhando com preocupação o desenrolar das negociações entre os dois países. O Rio Grande do Norte é um dos principais polos exportadores de atum do país e tem nos Estados Unidos um dos seus mercados mais importantes.

Setor pesqueiro respirou aliviado

A possibilidade de inclusão do atum na lista de produtos taxados preocupava empresários, armadores e trabalhadores da cadeia produtiva da pesca. Caso a sobretaxa fosse aplicada, o impacto poderia comprometer ainda mais um segmento que já enfrenta dificuldades desde o primeiro pacote tarifário anunciado pelo governo americano.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN), Arimar França, embora o cenário continue delicado, a exclusão dos pescados representa uma importante vitória para o setor.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN), Arimar França, embora o cenário continue delicado, a exclusão dos pescados representa uma importante vitória para o setor.

No primeiro tarifaço a gente conseguiu segurar, foi dado férias, mas já houve demissões e empresas fecharam as portas. Filiadas ao nosso sindicato, havia 17 empresas, hoje tem 15. Mas tem outras empresas que são voltadas para o consumo interno, que não são filiados ao sindicato. Mas a gente tem sentido esse forte problema em toda a cadeia. Tanto na parte de pesca industrial, como na pesca artesanal", pontua o presidente do Sindipesca RN (Sindicato da Pesca do RN), Arimar França.

Segundo representantes da atividade, além das indústrias exportadoras, milhares de pescadores artesanais, trabalhadores dos entrepostos, transportadores e fornecedores dependem diretamente da comercialização do pescado para o mercado internacional.

Lista completa dos pescados que ficaram isentos da tarifa

Entre os produtos do setor pesqueiro preservados pela nova política comercial dos Estados Unidos estão:

A manutenção desses produtos fora da nova cobrança foi considerada estratégica pelos Estados Unidos, que dependem parcialmente da importação de diversos alimentos e matérias-primas para abastecer seu mercado interno.

Produtos brasileiros que também escaparam da sobretaxa

Além dos pescados, o USTR divulgou uma relação de mais de 1,6 mil códigos tarifários que permanecerão livres da nova cobrança.

Produtos brasileiros isentos da nova taxação:

Segundo o governo dos Estados Unidos, esses itens foram preservados porque possuem relevância econômica e, em muitos casos, não contam com oferta suficiente produzida internamente.

Governo americano atribui medida à falta de acordo

Ao anunciar o novo pacote tarifário, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo brasileiro não conduziu negociações "de boa-fé" durante o processo de diálogo entre os dois países.

Em publicação na rede social X, Rubio declarou que as novas tarifas refletem o custo da ausência de um entendimento comercial e responsabilizou as políticas econômicas adotadas pelo governo brasileiro pelo impasse nas negociações.

Segundo Washington, as conversas não avançaram de forma satisfatória e, por isso, foi mantida a decisão de aplicar a sobretaxa sobre centenas de produtos brasileiros.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio • Anna Moneymaker/Getty Images

Governo brasileiro promete reação

O Palácio do Planalto reagiu duramente ao anúncio norte-americano.

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" nas relações entre Brasil e Estados Unidos e informou que recorrerá aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.

O Executivo também anunciou que pretende levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que não há justificativa para medidas unilaterais.

Segundo o governo brasileiro, os Estados Unidos acumulam um superávit comercial de aproximadamente US$ 424,5 bilhões nas trocas de bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, o que, na avaliação do Planalto, enfraquece os argumentos utilizados por Washington para justificar as novas tarifas.

O comunicado ainda faz críticas à família Bolsonaro, afirmando que integrantes participaram de ações relacionadas às investigações conduzidas pelos Estados Unidos sobre a política comercial brasileira.

Investigação cita Pix, comércio digital e etanol

O relatório que fundamenta a decisão americana foi elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Segundo o documento, o Brasil mantém práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais americanos em diferentes áreas.

Entre os pontos apontados pelo governo dos Estados Unidos estão:

→ Comércio digital;
→ Serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix;
→ Proteção à propriedade intelectual;
→ Barreiras ao acesso ao mercado brasileiro de etanol;
→ Tarifas preferenciais consideradas desleais;
→ Questões ambientais relacionadas ao desmatamento ilegal;
→ Medidas de combate à corrupção.

O USTR afirma que essas políticas restringem oportunidades para agricultores, exportadores, trabalhadores e empresas norte-americanas.

Mesmo assim, o órgão informou que permanece aberto à retomada das negociações caso o Brasil promova alterações nas políticas questionadas.

O que é a Seção 301

A base jurídica utilizada pelo governo americano é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Esse dispositivo permite aos Estados Unidos adotar medidas de retaliação comercial sempre que entenderem que outro país pratica ações consideradas "injustas", "irracionais" ou "discriminatórias" contra empresas ou interesses americanos.

Foi exatamente esse mecanismo que embasou a abertura da investigação sobre a política comercial brasileira e resultou na imposição da nova tarifa de 25%.

A base jurídica utilizada pelo governo americano é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Produtos que passam a pagar a nova tarifa

Embora uma extensa lista tenha sido preservada, diversos produtos brasileiros serão atingidos pela nova cobrança.

Confira os principais itens sujeitos à tarifa de 25% estão:

Segundo o USTR, representantes da indústria americana do etanol defenderam a adoção da tarifa como forma de compensar perdas provocadas pelas tarifas aplicadas pelo Brasil ao combustível produzido nos Estados Unidos.

Já em relação ao açúcar orgânico, o relatório afirma que a produção doméstica americana atende apenas uma pequena parcela da demanda interna, razão pela qual outros tipos de açúcar permanecem entre as exceções.

Regra de transição para mercadorias já embarcadas

O governo americano também definiu uma regra de transição para minimizar impactos imediatos sobre operações comerciais já iniciadas.

De acordo com o USTR, mercadorias embarcadas antes de 22 de julho poderão ingressar nos Estados Unidos sem a cobrança adicional, desde que a entrada no país ocorra até o dia 29 de julho.

Após esse prazo, todos os produtos sujeitos à nova política tarifária passarão a recolher a sobretaxa de 25% na importação.

Para o Rio Grande do Norte, a exclusão do atum, da lagosta e de outros pescados representa um importante alívio para uma cadeia produtiva que emprega milhares de trabalhadores e depende fortemente do mercado americano.

Embora o cenário das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos continue cercado de incertezas, a manutenção dos principais pescados potiguares na lista de exceções evita, ao menos neste momento, um impacto ainda mais severo sobre uma das atividades econômicas mais relevantes do estado.

Classificação Indicativa: Livre


TagsDonald trumpTarifa de 25%Exportações de atum