Política
Publicado em 05/11/2026, às 17h33 Adriano Machado/Reuters José Nilton Jr.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que perdeu a disputa presidencial para o presidente Lula( PT) nas Eleições 2026, afirmou que decidiu deixar o Brasil por iniciativa própria e que não pretende revelar os detalhes da estratégia. Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, divulgada nesta quinta-feira (5), ele declarou que levará os detalhes do plano "para o túmulo".
Segundo o parlamentar, não houve uma articulação prévia com outras pessoas. Ele contou que tomou a decisão depois que a Polícia Federal solicitou a entrega de seus passaportes, após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na entrevista, Flávio relatou que Jair o alertou sobre as possíveis consequências da situação. De acordo com o senador, o pai teria olhado diretamente para ele e perguntado se já havia entendido aonde as autoridades pretendiam chegar. O parlamentar disse que compreendeu o recado e que já sabia o que precisava fazer. Ele também negou ter discutido com o ex-presidente os detalhes da saída do país.
Flávio afirmou que a elaboração do plano foi responsabilidade dele, com a colaboração da esposa, Fernanda Bolsonaro. O senador reconheceu que possui amigos no exterior, mas negou que outras pessoas tenham participado diretamente da organização da viagem.
"Pode ter havido uma torcida, mas nada além disso", declarou, conforme a reportagem do jornal norte-americano. Atualmente nos Estados Unidos, o parlamentar também voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF), que classificou como "politicamente motivado".
As críticas foram direcionadas especialmente ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que levou à condenação e à prisão de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. A reportagem informa que Flávio não responde atualmente a acusações criminais, embora seja alvo de três investigações no STF.
Entre os casos mencionados estão suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse e possíveis crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado e amigo do senador, Willer Tomaz.