Política
Publicado em 29/09/2026, às 10h20 Internet Redação
A participação das mulheres nas eleições do Rio Grande do Norte vai além da maioria numérica entre os eleitores. Além de representarem mais da metade do eleitorado potiguar, elas também apresentam uma taxa de abstenção menor que a dos homens, o que amplia o peso do voto feminino na definição dos resultados eleitorais.
A avaliação foi feita pela juíza do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) Hadja Rayanne, durante entrevista ao MetadataCast, podcast da 98FM Natal, apresentado por Karine Symonir.
Segundo os dados apresentados pela magistrada, as mulheres somam 1.403.895 eleitoras, o equivalente a 52,77% do eleitorado apto no estado.
Mulheres faltam menos às urnas
A diferença também aparece quando se observa a presença dos eleitores no dia da votação. De acordo com os dados citados pela juíza, a abstenção entre as mulheres é de 15%, enquanto entre os homens chega a 18%.
Na avaliação de Hadja Rayanne, a combinação entre a maioria numérica e a maior presença nas urnas amplia a participação feminina no resultado das eleições.
O voto feminino acaba tendo um peso maior, não só porque ela é numericamente maior, mas porque ela também vota mais. Quando você faz o cruzamento desses dois dados, você vê que o impacto do voto feminino na eleição é muito alto”, afirmou.
O cenário ganha relevância às vésperas do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, quando mais de 2,6 milhões de eleitores estarão aptos a votar no Rio Grande do Norte.
Abstenção representa mais de 438 mil eleitores
A quantidade de pessoas que deixa de comparecer às urnas também chama atenção no estado. Segundo os números apresentados pela magistrada, 438.097 potiguares não votaram no último pleito, o equivalente a 16,54% do eleitorado.
Para Hadja Rayanne, o volume de ausências pode ter impacto significativo nas disputas eleitorais.
É um percentual que pode decidir uma eleição tranquilamente em quase todos os segmentos”, afirmou.
O número de ausentes supera, por exemplo, a soma dos eleitorados de Mossoró, com 187.519 eleitores, e Parnamirim, com 147.011. O contingente também corresponde a quase 77% dos 570.517 eleitores de Natal.
Em 2026, o Rio Grande do Norte possui 2.660.565 eleitoras e eleitores aptos a participar da votação.
RN registra abstenção menor que a média nacional
Apesar do número expressivo de pessoas que deixam de votar, o comparecimento dos potiguares ficou acima da média brasileira nas eleições municipais de 2024.
No primeiro turno daquele pleito, a abstenção nacional foi de 21,68%, o que representou mais de 33,7 milhões de eleitores ausentes. O percentual ficou próximo do registrado em 2020, quando a taxa chegou a 23,15%, durante a pandemia de Covid-19.
“O norte-rio-grandense comparece mais às urnas”, destacou a magistrada.
Maioria do eleitorado não se repete entre candidatos eleitos
A predominância feminina no eleitorado, entretanto, não aparece na mesma proporção quando são observadas as candidaturas e os resultados das eleições.
Dados do painel TSE Mulheres, citados por Hadja Rayanne, mostram que as mulheres representam aproximadamente 34% das candidaturas no país, mas correspondem a cerca de 16% dos eleitos e apenas 15% dos reeleitos.
A magistrada chamou atenção para a dificuldade de permanência das mulheres nos espaços de representação política.
“As mulheres não conseguem se sedimentar ali na política. Quando elas conseguem chegar lá, elas têm dificuldade de ficar.”
Mulheres representam 34,85% das candidaturas em 2026
Os registros eleitorais de 2026 mantêm a participação feminina próxima de um terço das candidaturas nacionais. Neste ano, as mulheres representam 34,85% dos candidatos no país, percentual semelhante ao observado desde 2020.
No Rio Grande do Norte, são 324 candidaturas, sendo aproximadamente 38% compostas por mulheres.
Na disputa pelo Governo do Estado, Arinalda do MLB aparece como a única mulher entre os nove candidatos registrados.
RN tem histórico pioneiro na participação feminina
A participação das mulheres na política potiguar possui uma trajetória histórica que antecede a legislação nacional sobre o voto feminino.
Em 1927, a Lei Estadual nº 660 permitiu que as mulheres do Rio Grande do Norte votassem e também se candidatassem a cargos eletivos. No ano seguinte, Alzira Soriano foi eleita prefeita de Lajes, com 60% dos votos, tornando-se a primeira mulher eleita para comandar uma prefeitura no Brasil e na América Latina.
Para Hadja Rayanne, esse episódio representa uma marca histórica que ajudou a construir a participação feminina na política do estado.
“Foi uma semente plantada”, afirmou.
Participação feminina ainda pode avançar
Segundo os dados apresentados pela juíza, o Rio Grande do Norte apresenta percentuais superiores aos registrados nacionalmente quando se observa a presença feminina entre os eleitos.
No estado, as mulheres representam 22% dos eleitos e 20% dos reeleitos. Ainda assim, diante de um eleitorado formado majoritariamente por mulheres, Hadja Rayanne considera que existe espaço para ampliar a representação feminina nas estruturas de poder.
O contraste entre a presença das mulheres nas urnas e sua participação nos cargos eletivos coloca em evidência uma questão que vai além do comparecimento eleitoral: as eleitoras são maioria e participam mais da votação, mas continuam sub-representadas entre os candidatos e, principalmente, entre os eleitos.
Mulheres nas eleições do RN
52,77%
Percentual de mulheres no eleitorado potiguar
1.403.895
Eleitoras aptas a votar no RN
15%
Taxa de abstenção entre as mulheres
18%
Taxa de abstenção entre os homens
2.660.565
Eleitores aptos no RN em 2026
38%
Percentual aproximado de mulheres entre as candidaturas do RN em 2026