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Política

Meta nega favorecimento a Flávio e atribui problema em vídeos de Lula a falha global

A Meta apresentou uma defesa técnica ao TSE, contestando acusações de favorecimento a Flávio Bolsonaro durante as eleições  |  Reprodução

Publicado em 13/10/2026, às 10h09   Reprodução   Lavínia Manso

A Meta apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta segunda-feira (12), uma resposta técnica para contestar a acusação de interferência eleitoral em favor de Flávio Bolsonaro. A empresa, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, afirmou que uma falha global na contagem de visualizações afetou vídeos de Luiz Inácio Lula da Silva, sem interromper a distribuição dos conteúdos.

Segundo o documento anexado ao processo, os sistemas que registram reproduções dos Reels do Instagram ficaram bloqueados entre as 15h50 e as 20h49 da quarta-feira (7). Nesse intervalo, os números exibidos poderiam aparecer zerados ou permanecer sem atualização, embora os vídeos continuassem sendo entregues aos usuários.

A companhia sustenta que o incidente atingiu criadores de conteúdo em mais de cem países e não teve relação com o Brasil ou com posições políticas. Também afirma que, naquele dia, a distribuição das publicações da conta oficial de Lula ficou consideravelmente acima do padrão recente do próprio perfil.

Campanha aponta restrições e suspeita de favorecimento

A contestação responde a uma ação apresentada no sábado (10) pela Coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição de Lula. A campanha procurou o TSE e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para questionar possíveis restrições às contas do presidente e levantar a hipótese de favorecimento a Flávio, do Partido Liberal (PL).

A coligação reúne o Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Verde (PV), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e Rede Sustentabilidade. Lula e Flávio disputam o segundo turno da eleição presidencial, marcado para o dia 25 de outubro.

Entre os episódios citados estão a ausência do perfil de Lula nas buscas do Instagram, em dezembro de 2025, e a desativação da conta de anúncios durante o primeiro turno. A petição também menciona uma interrupção nas visualizações e curtidas de vídeos em quinta-feira (8) e dificuldades para impulsionar publicações na sexta-feira (9).

Empresa pede mais prazo para consultar registros

A manifestação foi protocolada pelo Facebook Serviços Online do Brasil, representante da Meta no país. A empresa argumenta que a falha na exibição dos números gerou uma percepção de perda de alcance, interpretada pela campanha como uma possível restrição seletiva.

A Meta solicitou mais 48 horas para detalhar as medidas aplicadas aos perfis oficiais de Lula desde 16 de agosto. Segundo a companhia, os registros internos ainda estão sendo consultados para reunir as informações solicitadas.

Sobre as contas de terceiros mencionadas na ação, a plataforma recusou fornecer dados individualizados. A justificativa foi o sigilo das informações e o fato de os titulares desses perfis não integrarem o processo.

Pedido urgente ainda será analisado

Após a resposta da empresa, a coligação e a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) terão, cada uma, 24 horas para se manifestar. Somente depois dessas etapas será analisado o pedido de tutela de urgência, que busca uma decisão provisória antes do julgamento definitivo.

A ordem inicial de esclarecimentos foi expedida no sábado (10) pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, juiz auxiliar de propaganda do TSE. Ele concedeu 48 horas para a Meta apresentar informações técnicas sobre os acontecimentos relatados pela campanha.

Na decisão, Bellizze destacou que os fatos envolvem ferramentas controladas exclusivamente pela empresa. Entre elas estão os sistemas de distribuição de publicações, os registros de moderação, a plataforma de anúncios e os mecanismos de identificação da autenticidade das contas.

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