Política
Publicado em 30/10/2026, às 10h21 Internet Redação
Psicóloga, mãe de dois filhos e noiva do governador eleito do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), Mariana Fernandes se prepara para assumir um novo papel na vida pública potiguar. Natural de Natal, ela construiu sua trajetória profissional longe dos holofotes da política e agora pretende usar a experiência com o cuidado e o acolhimento para contribuir com iniciativas sociais no estado.
Discreta durante a campanha eleitoral, Mariana reconhece que a chegada do companheiro ao Governo do RN trará mudanças para a rotina da família e novas responsabilidades. Embora ainda não tenha definido uma área específica de atuação, ela afirma que deseja conhecer de perto a realidade da população e participar de projetos voltados às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Em entrevista ao Diário do RN, Mariana falou sobre sua história, a formação em psicologia, a relação com Cadu e as expectativas para a nova etapa. Ao se apresentar, destacou características que considera essenciais em sua identidade: “Mariana é uma pessoa simples, uma pessoa discreta, como vocês podem ver, que não aparece muito, uma pessoa humilde”.
Família, fé e valores que orientam sua trajetória
Filha de um funcionário aposentado da Petrobras e de uma professora que dedicou duas décadas à educação, Mariana afirma que cresceu em um ambiente marcado pela valorização da família, da honestidade, da humildade e da fé cristã. Segundo ela, esses princípios também orientaram a criação dos dois filhos, de 18 e 14 anos.
“Minha mãe trabalhou 20 anos com educação e sempre foi muito cristã. Me ensinou os valores, acima de tudo, de família, de honestidade, de humildade. E foram esses valores que eu passei para os meus filhos”, conta.
Ao avaliar a própria trajetória, Mariana demonstra satisfação com as escolhas que fez e com a mulher que se tornou. “Graças a Deus, eu tenho muito orgulho da mulher que eu me tornei hoje”, afirma.
A discrição, segundo ela, é uma característica que acompanha sua vida pessoal e profissional. Mesmo durante a campanha do noivo, procurou manter a rotina de trabalho e participar das atividades políticas sempre que os compromissos permitiam.
Da fonoaudiologia à psicologia
Antes de se dedicar à psicologia, Mariana formou-se em fonoaudiologia e trabalhou durante oito anos na Marinha. Foi nesse período que conheceu mais de perto a atuação dos profissionais da área, acompanhando atividades e palestras direcionadas a grupos de idosos e pessoas com hipertensão.
A experiência despertou o interesse pela psicologia. Depois de deixar a instituição, entre 2012 e 2013, decidiu iniciar uma nova formação acadêmica e seguir o caminho profissional que, segundo ela, passou a fazer mais sentido para sua vida.
“Foi lá na Marinha que eu conheci a psicologia, porque trabalhava com o setor da psicologia, dava palestras para grupos de idosos, grupos de hipertensos, e foi lá que eu me apaixonei por essa profissão”, relembra.
A mudança também influenciou sua maneira de compreender as relações humanas. Para Mariana, a psicologia ampliou sua capacidade de escuta e ajudou a desenvolver uma postura mais empática diante das experiências e dificuldades de outras pessoas.
“Foi uma profissão que me ensinou muito a ser uma pessoa melhor, porque comecei a aprender a olhar para o outro sem julgamentos. Aprendi a compreender a dor do outro, as diferenças, a olhar para aquela pessoa e entender o outro lado que, de fora, a gente não consegue ver”, destaca.
O acolhimento é um dos aspectos da profissão que mais valoriza. “Compreender as diferenças e individualidades do ser humano e poder acolher e ajudar. Ajudar o próximo é algo que me traz muita satisfação”, acrescenta.
Parceria com Cadu Xavier e mudanças na rotina familiar
Na relação com Cadu Xavier, Mariana destaca o companheirismo e a divisão das responsabilidades cotidianas. Segundo ela, o casal sempre buscou construir uma dinâmica familiar baseada na colaboração, sem estabelecer tarefas domésticas a partir de papéis tradicionalmente atribuídos a homens e mulheres.
“Eu acho que nós sempre fomos muito parceiros. Dentro de casa não existe essa regra do que é dever do homem e o que é dever da mulher. Sempre estamos nos ajudando uns aos outros”, afirma.
Durante a campanha eleitoral, ela procurou equilibrar os compromissos profissionais com o apoio ao noivo. Mesmo sem deixar a psicologia de lado, acompanhou Cadu em atividades políticas sempre que possível.
“Eu posso dizer que pude dar o meu melhor. Não deixei minha profissão de lado, mas, sempre que possível, estava ali, me fazendo presente, acompanhando ele da forma que dava”, relata.
Com a vitória nas urnas, a família começou a se preparar para as mudanças que a rotina do Governo do Estado deverá trazer. Mariana reconhece que as novas atribuições podem limitar o tempo de convivência com o companheiro e afirma que o assunto já está sendo discutido com os filhos.
“Nós já estamos conversando com nossos filhos, porque eles precisam entender a ausência do pai. E agora, mais do que nunca, a gente vai precisar estar muito unido”, explica.
Apesar dos desafios, ela afirma que apoia o projeto político de Cadu por acreditar que o companheiro deseja melhorar as condições de vida da população potiguar.
“Eu sei que é um desejo dele mudar a vida das pessoas. E, mesmo sabendo que isso vai mudar muito a nossa vida, eu jamais seria egoísta de, num momento como esse, não dar apoio e não estar ao lado dele”, declara.
Projetos sociais e atenção às pessoas mais vulneráveis
A futura primeira-dama afirma que encara a nova posição com senso de responsabilidade e consciência de que sua presença pública deverá aumentar. Sem antecipar um formato de atuação, ela conta que ainda conversa com Cadu sobre as possibilidades de participação em iniciativas sociais ligadas ao governo.
“Eu confesso que sinto uma responsabilidade muito grande, porque serei exemplo para muitos seres humanos. E, como ser humano, eu também erro. Então, confesso que é uma responsabilidade muito grande”, reconhece.
Entre os objetivos está conhecer de perto as dificuldades enfrentadas pelos potiguares, especialmente por quem depende de políticas públicas para ter acesso a direitos e serviços. A ideia é se envolver em projetos sociais que permitam compreender essas realidades e contribuir para a busca de soluções.
“Eu pretendo, sim, me engajar em projetos sociais, até para que eu possa conhecer melhor, conhecer de perto a realidade do nosso estado e, assim, poder tentar ver como é que eu vou conseguir melhorar a vida dessas pessoas”, afirma.
Embora ainda não tenha escolhido uma causa prioritária, Mariana cita questões que despertam sua preocupação, como a dependência química, a desestruturação familiar, a situação de crianças desamparadas e a saúde mental, área relacionada à sua formação profissional.
“São muitas causas para a gente conseguir definir uma só. O que eu quero é entrar nessa campanha de Cadu, que é a campanha do Cuida, para a gente se preocupar mais com essas pessoas que mais precisam do Estado”, explica.
A atuação ainda está em fase de planejamento. Mariana prefere não anunciar compromissos antes de definir como poderá contribuir, mas sinaliza que pretende levar para a nova função a experiência profissional e a disposição para aprender.
Ao projetar o futuro, ela reconhece que a experiência como primeira-dama será também uma oportunidade de crescimento pessoal, marcada pelo contato com diferentes realidades e pela possibilidade de colaborar com ações voltadas à população do Rio Grande do Norte.