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Política

Mais de 33 milhões de eleitores faltam às urnas e abstenção atinge maior nível desde 1998

Dados do TSE mostram que 33,4 milhões de eleitores não compareceram ao primeiro turno das eleições de 2026, o maior índice desde 1998  |  Leobark Rodrigues/Secom/TSE

Publicado em 05/10/2026, às 07h39   Leobark Rodrigues/Secom/TSE   Lavínia Manso

Mais de 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar no Brasil neste domingo (4), no primeiro turno das eleições de 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados na noite da votação, as ausências representaram 21,08% do eleitorado, o maior percentual desde 1998. O levantamento contabiliza o não comparecimento, mas não informa os motivos individuais das faltas. 

Dos aproximadamente 158,7 milhões de brasileiros aptos a participar do pleito, mais de um em cada cinco não compareceu à seção eleitoral. O total de ausentes superou os 32,7 milhões registrados no primeiro turno de 2022. 

O crescimento também aparece na comparação com eleições anteriores. Em 2014, foram 27,7 milhões de abstenções. Quatro anos depois, o número chegou a 29,9 milhões, antes de ultrapassar a marca de 32 milhões em 2022. 

Brancos e nulos aumentam em relação a 2022

Entre os eleitores que foram às urnas, o balanço divulgado apontou 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de nulos. Ambos os números ficaram acima dos registrados em 2022, quando houve 1,9 milhão de brancos e 3,5 milhões de nulos. 

A alta dos votos em branco interrompe a queda observada nas comparações anteriores: foram 4,4 milhões em 2014 e 3,4 milhões em 2018. Já os nulos passaram de 6,7 milhões para 7,2 milhões entre essas duas eleições, antes de recuar em 2022. 

Essas duas modalidades ficam fora da contagem dos votos válidos e não são transferidas para nenhum candidato. Para votar em branco, o eleitor seleciona a tecla correspondente e confirma. O voto nulo é registrado ao confirmar uma combinação numérica que não corresponda a candidato ou legenda válida para aquela disputa. 

Quem faltou precisa ficar atento à justificativa

Quem tem obrigação de votar e não compareceu deve justificar a ausência à Justiça Eleitoral. A regra prevê prazo de até 60 dias após cada turno. O pedido pode ser apresentado pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral ou em um cartório, acompanhado de documentos que comprovem o motivo da falta. 

Se a justificativa não for apresentada ou for rejeitada, a ausência pode gerar multa de até R$ 3,51 por turno. O título fica sujeito a cancelamento após três eleições consecutivas sem votar, justificar ou quitar as multas correspondentes. Para essa contagem, cada turno equivale a uma eleição. 

A falta de regularização pode impedir a obtenção de passaporte, a renovação de matrícula em estabelecimentos oficiais de ensino e a posse em cargo público, observadas as exceções legais. Essas restrições decorrem da pendência eleitoral e não dependem apenas do cancelamento do título. 

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