Política
Publicado em 06/10/2026, às 12h34 © Frame LulaOficial/Youtube Giovana Gurgel
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) no início do segundo turno da eleição presidencial e defendeu mudanças na forma de escolha dos ministros da Corte, incluindo a possibilidade de estabelecer mandatos. A declaração ocorreu nesta segunda-feira (5) após Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), em meio à crise envolvendo integrantes do Supremo e o Banco Master.
Durante uma reunião com aliados que disputaram cargos no Executivo e no Senado, Lula classificou como “promiscuidade” a situação que, segundo ele, se estabeleceu no Supremo após as denúncias relacionadas ao banco e a pessoas próximas à instituição. O presidente afirmou ainda que sua candidatura estaria assumindo o desgaste provocado pelo episódio.
“Precisamos definir concretamente como é que a gente vai escolher um ministro da Suprema Corte”, afirmou Lula.
Para o presidente, a discussão deveria envolver critérios para as indicações e avaliar se os integrantes do Supremo deveriam ter mandato.
Atualmente, os ministros do STF são indicados pelo presidente da República e precisam ter seus nomes aprovados pelo Senado. Lula questionou se o modelo atual atende a interesses públicos ou se sofre influência política e econômica.
“É de interesse pessoal do presidente da República? É de pressão do Congresso Nacional? É de interesse do poder econômico?”, questionou.
Em seguida, defendeu que a sociedade participe do debate sobre os critérios para escolha dos integrantes da Corte.
O presidente também afirmou que ninguém deve estar acima da lei, incluindo os próprios ministros do STF. A mudança de discurso acontece depois de aliados avaliarem que a proximidade de Lula com integrantes do tribunal contribuiu para reforçar, durante a campanha, a imagem de que ele seria o “candidato do sistema”.
A avaliação sobre os impactos da crise no STF ganhou força após o resultado do primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa com 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53,8 milhões, ou 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Para a nova fase da disputa, Lula anunciou que pretende ampliar a presença em rádios, participar de mais eventos e intensificar o contato direto com apoiadores. O presidente também sinalizou que deverá participar de debates, dos quais ficou fora durante o primeiro turno.
Além das mudanças na campanha, Lula defendeu a aprovação ainda neste ano da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Ele também afirmou não ver motivos para perder a disputa presidencial no segundo turno.
A crise mencionada pelo presidente está relacionada aos desdobramentos de um relatório da PF que reuniu mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O material teria feito referências ao ministro Alexandre de Moraes e desencadeado divergências entre integrantes do Supremo nas últimas semanas.
A reunião em que Lula fez as declarações ocorreu justamente no momento em que a campanha petista busca redefinir sua estratégia para a segunda etapa da eleição. O presidente passou a adotar um discurso mais crítico em relação ao Judiciário e a defender publicamente uma discussão sobre o atual modelo de composição da principal Corte do país.
A mudança representa uma inflexão em relação à postura adotada durante boa parte do primeiro turno, quando aliados já haviam aconselhado Lula a ampliar as críticas aos ministros do Supremo.
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