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Política

Lula defende América Latina como “zona de paz” e dispara contra intervenções estrangeiras

Durante cerimônia, Lula enfatiza que a região deve ser livre de conflitos e armas de destruição em massa, criticando intervenções externas  |  © Marcelo Camargo/Agência Brasil

Publicado em 20/10/2025, às 14h17   © Marcelo Camargo/Agência Brasil   Giovana Gurgel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (20) que a América Latina deve permanecer uma região de paz e soberania, criticando intervenções externas que, segundo ele, “podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar”.

A declaração foi feita durante a cerimônia de entrega de credenciais de 28 novos embaixadores no Brasil, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília.

Lula destacou que o continente é um território livre de armas de destruição em massa e sem conflitos étnicos ou religiosos, reforçando a necessidade de respeito à autonomia dos países latino-americanos.

“Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos. Intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar”, disse aos diplomatas.

O presidente também alertou para o crescimento da polarização e da instabilidade política na região, ressaltando que o diálogo e o multilateralismo são essenciais para garantir estabilidade e cooperação.

Diplomacia e multilateralismo em destaque

Lula afirmou que os novos embaixadores serão recebidos “como amigos” e terão atenção do Itamaraty, reforçando o compromisso do Brasil com o multilateralismo baseado em relações pacíficas e democráticas.

“Queremos mostrar ao mundo que precisamos fortalecer o multilateralismo, baseado na boa relação cordial, comercial, econômica e, sobretudo, pacífica, sem ódio, negacionismo ou violação de direitos humanos”, declarou.

O discurso de Lula ocorre dias após o Brasil e outros países latino-americanos manifestarem “profunda preocupação” com movimentações militares dos Estados Unidos na região do Caribe, interpretadas como uma referência ao envio de navios e submarinos à costa da Venezuela.

A cerimônia desta segunda-feira ocorreu de forma coletiva, diferentemente do habitual encontro reservado com cada embaixador, devido à agenda do presidente.

Brasil amplia presença global

Durante o evento, Lula destacou a importância da política externa em seu governo e lembrou que já visitou 37 países desde o início de seu terceiro mandato.

O presidente também citou os grandes eventos multilaterais que o Brasil sediará ainda neste ano, como a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em novembro, e a Cúpula do Mercosul, em dezembro.

Os novos representantes diplomáticos habilitados a despachar no país são de El Salvador, Albânia, Camboja, Tailândia, Tanzânia, Belarus, Quênia, Omã, República Dominicana, Burkina Faso, Bangladesh, e Mauritânia.

Também constam Sudão, Senegal, Uruguai, República Democrática do Congo, Suíça, Países Baixos, Bélgica, Emirados Árabes, Irlanda, Zâmbia, Áustria, Finlândia, Malásia, Gana, Líbano e Sri Lanka.

A entrega das cartas credenciais é uma formalidade que autoriza oficialmente o exercício das funções diplomáticas no Brasil. Sem essa cerimônia, os embaixadores não podem representar seus países em audiências ou eventos oficiais.

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